Agronegócio

Mais de mil bois morrem em confinamento e prejuízo atinge também a logística do gado

Mais de mil bois da raça Nelore morreram em um confinamento no Centro-Oeste, em uma perda que mexe com a pecuária e também com toda a operação por trás do gado. O episódio ocorreu em uma estrutura com cerca de 20 mil animais e virou sinal de alerta para fazendas que trabalham com engorda intensiva.

Os animais estavam em fase avançada de cocho, entre 30 e 60 dias de alimentação controlada. Boa parte deles apresentava bom ganho de peso, perto de 1,7 kg por dia. Na prática, eram bois que estavam perto de entregar resultado para o produtor, para o frigorífico e para toda a cadeia que depende dessa movimentação.

A suspeita principal ficou ligada ao desequilíbrio na dieta, com teor alto de amido, além de falha na proteção vacinal contra agentes associados à enterotoxemia. Esse tipo de quadro pode avançar rápido, sem dar tempo de reação no curral. Em confinamento grande, a perda deixa de ser apenas sanitária e passa a virar uma operação pesada de emergência.

O impacto chega também ao caminhoneiro que trabalha com carga viva. Quando uma fazenda perde tantos animais de uma vez, fretes podem ser cancelados, remanejados ou atrasados. Viagens programadas para retirada de gado gordo perdem sentido, e parte da agenda de embarque precisa ser refeita. Para quem vive de rota rural, isso significa espera, diária parada e mudança de plano em cima da hora.

O caminhão boiadeiro depende de previsibilidade. O motorista sai sabendo horário de carregamento, peso aproximado, destino, documentação e janela de descarga. Quando ocorre uma perda desse tamanho, o pátio muda, o curral para, a equipe veterinária assume a frente e o transporte fica em segundo plano até a fazenda reorganizar o manejo.

Também existe reflexo no frigorífico. Menos animais entregues no prazo afetam escala, compra, abate e negociação. O boi que estava quase pronto deixa de entrar na fila, e isso pressiona contratos, fretes combinados e planejamento da semana.

O episódio mostra como a pecuária moderna depende de uma engrenagem bem ajustada. Dieta, vacina, manejo, curral, caminhão e frigorífico caminham juntos. Quando uma parte falha, o prejuízo passa da porteira e alcança quem carrega, compra, vende e movimenta o gado pelo país.

Esta publicação foi modificada pela última vez em 30 de maio de 2026 20:17

Ildemar Ribeiro

Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.

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