Carro elétrico já foi moda, desapareceu e agora tenta vencer um velho problema

Carro elétrico não nasceu agora e já perdeu espaço outras vezes
O carro elétrico parece coisa nova para muita gente, mas essa história começou bem antes dos modelos modernos que hoje aparecem nas ruas, nos anúncios e nas conversas sobre transporte. No começo dos anos 1900, esse tipo de veículo já tinha força nos Estados Unidos. O Departamento de Energia dos EUA registra que, por volta de 1900, os elétricos representavam cerca de um terço dos veículos em circulação no país. Nova York chegou a ter uma frota com mais de 60 táxis elétricos.
Naquela época, o elétrico tinha pontos que agradavam: fazia pouco barulho, era mais limpo no uso urbano e não exigia o esforço de dar partida manual em motores a gasolina. Para deslocamentos curtos dentro das cidades, fazia sentido. O problema vinha quando a conversa passava para distância, preço, bateria e estrutura de recarga.
A primeira grande queda veio com a evolução dos carros a gasolina. A chegada da partida elétrica em 1912 ajudou a tirar uma vantagem importante dos elétricos, enquanto o Ford Model T barateou o carro a combustão e colocou escala na produção. O resultado foi simples: o elétrico ficou caro, limitado e perdeu lugar no mercado.
Depois disso, houve novas tentativas. Nos anos 1970, a crise do petróleo abriu espaço para pequenos elétricos, como o CitiCar, produzido entre 1974 e 1977. Ele virou símbolo de uma tentativa diferente, mas não conseguiu mudar o mercado de verdade. Contando suas variações, foram 4.444 unidades produzidas até 1979, número pequeno diante da força dos carros comuns.
Nos anos 1990, veio outra fase. A Califórnia criou regras para incentivar veículos sem emissão, e a GM lançou o EV1. O modelo foi produzido entre 1996 e 1999, mas o programa acabou em 2003. O Smithsonian trata o EV1 como exemplo da diferença entre inventar uma tecnologia e conseguir levar essa tecnologia ao mercado em larga escala.
É possível dizer que o carro elétrico já enfrentou pelo menos três grandes ondas que não viraram domínio real do mercado: a fase forte dos anos 1900, a tentativa dos anos 1970 e a retomada dos anos 1990. O desafio sempre passou pelo mesmo ponto: não basta o veículo funcionar. Ele precisa ter preço, autonomia, manutenção, recarga e confiança para entrar na vida de quem depende do transporte todos os dias.
