Governo Lula registra mais fretes, mas caminhoneiro está ganhando mais ou só rodando mais?

Números da ANTT indicam crescimento nas operações registradas de frete, mas a rotina do caminhoneiro ainda segue apertada.
Fretes aumentaram ou caíram no governo Lula?
Pelos dados oficiais da ANTT, o número de operações registradas de frete aumentou no atual governo Lula. O melhor indicador para olhar isso é o CIOT, que é o Código Identificador da Operação de Transporte. Ele registra operações de transporte feitas por caminhoneiros autônomos e equiparados, principalmente quando existe pagamento eletrônico de frete. A própria ANTT explica que esses dados não pegam todas as operações do país, mas ajudam a enxergar o movimento do setor.
Em 2023, a média mensal de CIOTs foi de 1,47 milhão de viagens. Em 2024, subiu para 1,58 milhão, crescimento de 7,6%. Já no Anuário TRC 2025, a ANTT informou que a média mensal chegou a 1,7 milhão de CIOTs, ficando 6,64% acima de 2024 e 14,68% acima de 2023. Ou seja, olhando esse dado oficial, o número de fretes registrados cresceu no governo Lula até 2025.
Mas aumento de frete não quer dizer vida fácil para o caminhoneiro
Na prática, mais frete registrado não significa automaticamente que o caminhoneiro está ganhando mais ou trabalhando melhor. Quem vive da estrada sabe que a conta é mais dura. Tem diesel, pneu, manutenção, pedágio, espera para carregar, fila para descarregar, risco de atraso e frete que muitas vezes não acompanha o custo real da viagem.
Outro dado importante vem do MDF-e, documento usado para registrar operações de transporte de carga. Segundo o Anuário TRC 2025 da ANTT, foram registradas 80,4 milhões de viagens de transporte rodoviário de cargas em 2025, somando viagens interestaduais e intermunicipais. O volume total transportado chegou perto de 1,4 bilhão de toneladas.
A ANTT também explica que o MDF-e mostra a movimentação de cargas pelo país e permite ver quem transporta, com quais veículos, que tipo de carga e para onde ela vai. Porém, ele não inclui viagens feitas dentro do mesmo município, como coleta e entrega urbana. Então o número real de deslocamentos com caminhão pode ser ainda maior do que aparece nesse tipo de base.
O ponto principal é este: pelos dados oficiais disponíveis, o movimento de fretes registrados cresceu no atual governo Lula, principalmente quando se olha o CIOT entre 2023 e 2025. Mas para o caminhoneiro, o problema não é só ter carga para puxar. O que pesa é saber se o frete paga a viagem, se cobre os custos e se sobra algum lucro depois de enfrentar a estrada.
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