Mais horas no volante, menos dinheiro no bolso e a vida do motorista de aplicativo

Mais gente no app, mas a conta do carro está apertando
O número de pessoas trabalhando por aplicativo no Brasil não caiu nos dados mais recentes. Pelo contrário. O IBGE apontou que o país tinha 1,7 milhão de trabalhadores por plataformas digitais no 3º trimestre de 2024, alta de 25,4% em relação a 2022. No transporte particular de passageiros, sem contar táxi, o total foi de 680 mil para 878 mil pessoas, avanço de 29,2%.
Esse crescimento, porém, não significa que a vida de quem roda ficou mais leve. A entrada no aplicativo virou saída rápida para desemprego, renda baixa ou necessidade de completar o orçamento. Só que a promessa de ganhar dinheiro no volante encontra uma conta pesada antes mesmo do fim do mês: combustível, pneu, revisão, seguro, aluguel ou financiamento do carro.
O IBGE também mostrou que motoristas de app trabalham mais tempo. Em 2024, a média foi de 45,9 horas por semana, contra 40,9 horas dos demais condutores de automóveis. A renda mensal média dos plataformizados ficou maior, mas o ganho por hora ficou praticamente empatado, o que mostra uma troca simples: para tirar mais, é preciso rodar mais.
O Ipea já vinha apontando esse aperto. Entre 2012 e 2022, a adesão ao trabalho por app no transporte de passageiros veio junto com jornada mais longa, queda de renda média e menor contribuição para a Previdência. Em 2022, o total de ocupados nesse grupo se aproximava de 1 milhão, mas o rendimento médio era inferior a R$ 2.400.
A dívida entra justamente nessa brecha. O relatório Fairwork Brasil 2025 cita pesquisa indicando que cerca de 92% dos motoristas em plataformas digitais estavam endividados. O documento relaciona esse quadro aos custos de trabalho, baixa remuneração, problemas de saúde e falta de proteção quando o profissional para de rodar.
Reportagem da Agência Pública também mostrou relatos de motoristas com empréstimos, carro alugado e parte grande do faturamento consumida por manutenção, gasolina e alimentação durante o expediente. A sensação de autonomia existe, mas a planilha do mês mostra outro lado: sair de casa cedo, voltar tarde e ainda fechar a semana devendo.
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