Como o Onix passou de campeão de vendas a possível bomba nas oficinas

O Onix brilhou no Brasil, mas a correia no óleo virou medo de oficina
O Chevrolet Onix já foi sinônimo de compra segura para muita gente. O carro ficou anos entre os mais vendidos do país, ganhou fama de econômico, moderno e fácil de revender. Para famílias, motoristas de aplicativo e gente que roda bastante, ele virou uma escolha quase automática.
A virada começou quando a nova geração trouxe motores três cilindros com correia dentada banhada a óleo. No papel, a solução prometia menos ruído, menor atrito e boa durabilidade. A própria Chevrolet afirma que o sistema foi projetado para troca aos 240 mil km, desde que o dono siga o plano de manutenção e use o óleo certo.
O assunto virou dor de cabeça. Donos passaram a relatar desgaste prematuro, correia soltando resíduos, perda de pressão de óleo e, nos casos mais graves, motor danificado. O problema não aparece igual em todos os carros, mas o medo cresceu porque o conserto pode sair caro e parar o veículo por dias.
Para quem trabalha rodando, esse tipo de falha pesa duas vezes. Tem o valor da oficina e tem o período sem carro, sem corrida, sem entrega e sem renda. Um Onix que antes era visto como parceiro de uso intenso passou a exigir histórico de revisão muito mais bem conferido na hora da compra.
A discussão também envolve manutenção. O sistema depende muito do lubrificante correto. Óleo fora da especificação, produto adulterado, intervalo esticado e troca feita sem critério podem acelerar o desgaste. O ponto é que, para o consumidor comum, isso transformou uma peça interna do motor em motivo de desconfiança.
A Chevrolet tentou reduzir esse receio com uma ação de pós-venda para reativar a garantia da correia em unidades Onix e Onix Plus da geração 2019/2020 em diante, mediante vistoria e troca de óleo e filtro na rede autorizada.
O Onix não perdeu sua importância no mercado, mas a imagem mudou. Antes, a conversa era consumo, conforto e revenda. Agora, muita gente olha primeiro o histórico de óleo, revisões e estado da correia. Foi assim que um dos carros mais tradicionais da Chevrolet passou de queridinho racional para compra que exige lupa antes de fechar negócio.
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