
Foto: Ilustrativa
A vibração sentida dentro do ônibus deixou de ser vista apenas como parte comum da jornada e entrou no centro de uma decisão importante para motoristas e cobradores. O STJ reconheceu que a atividade pode ser considerada especial quando houver prova técnica de desgaste contínuo à saúde.
Na prática, isso significa que o motorista de ônibus não ganha o benefício apenas por trabalhar na função. O ponto principal é demonstrar, por meio de laudo e perícia, que o serviço foi feito por anos em condições pesadas, com exposição constante à vibração do veículo, calor, ruído, postura forçada e pressão diária no trânsito.
Dentro de um ônibus, o corpo sente impactos o tempo todo. Buracos, lombadas, trechos ruins, paradas bruscas e muitas horas sentado podem gerar desgaste que vai além do cansaço comum. A vibração de corpo inteiro é um dos fatores que costumam aparecer nos processos, principalmente quando o trabalhador passou décadas fazendo linhas longas ou trajetos mais difíceis.
A decisão do STJ não libera aposentadoria especial de forma automática, mas muda o peso da discussão. Agora, motoristas e cobradores podem buscar o reconhecimento da atividade especial mesmo em períodos trabalhados depois de 1995, quando acabou o enquadramento apenas pela profissão.
Para quem passou anos no transporte coletivo, a decisão pode influenciar pedidos no INSS e ações na Justiça. O trabalhador precisará reunir documentos, vínculos de emprego, PPP, laudos, informações sobre linhas atendidas, tipo de veículo, jornada e condições reais de trabalho.
Esse ponto é importante porque a vida de quem dirige ônibus costuma ser marcada por escala apertada, pouco descanso entre viagens, trânsito pesado, cobrança por horário e risco constante de desgaste físico. A perícia vai olhar para esse conjunto, não apenas para o nome do cargo na carteira.
A decisão também interessa a quem já se aposentou e acredita que teve períodos especiais ignorados. Nesses casos, pode existir espaço para revisão, desde que a documentação mostre que a exposição era habitual e permanente.
Para os motoristas que continuam na ativa, o recado é direto: guardar documentos de trabalho virou parte do planejamento previdenciário. O ônibus carrega passageiros todos os dias, mas também carrega anos de impacto no corpo de quem passa a jornada inteira no volante.
Esta publicação foi modificada pela última vez em 27 de maio de 2026 20:06
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