Agronegócio

O campo está ficando sem gente e o reflexo logo chega na mesa e na estrada

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O campo está ficando sem gente e o reflexo logo chega na mesa e na estrada

A falta de mão de obra rural deixou de ser conversa distante e virou um problema que começa a aparecer no dia a dia de fazendas, lavouras, usinas e também no transporte. O Brasil ainda tem muita gente ligada ao agro, mas existe um detalhe importante: nem todo esse crescimento está dentro da porteira. Uma parte grande está nos serviços, na indústria, na venda de insumos, na tecnologia e na logística.

A lida pesada da roça perdeu espaço para máquinas, sistemas e equipamentos modernos. Isso ajudou a aumentar a produção, mas também criou outro aperto. Hoje não basta só ter disposição. O operador precisa entender painel, GPS, manutenção básica, clima, aplicação correta e rotina de safra. Quem não acompanha essa mudança acaba ficando para trás.

A falta aparece primeiro na safra, no frete e na espera

O reflexo costuma surgir nas épocas de maior pressão. Na colheita, no plantio e no carregamento, qualquer vaga sem preencher atrasa tudo. A máquina parada custa caro. O caminhão fica mais tempo esperando. O motorista perde viagem. O dono da carga tenta correr contra o relógio. No fim, esse atraso pode virar frete mais caro, entrega lenta e alimento chegando com custo maior.

Outro ponto é que o campo vem ficando mais velho. Muitos filhos de produtores e trabalhadores preferem buscar emprego na cidade. A vida rural exige horário puxado, distância, calor, poeira, alojamento simples em algumas regiões e pouca folga em períodos fortes da safra. Para muita gente nova, isso pesa mais do que o salário.

O problema também não é só quantidade. Falta preparo para funções que antes eram vistas como simples. Operador de colheitadeira, tratorista, mecânico agrícola, técnico em irrigação, auxiliar de pecuária, motorista de carga rural e gente para trabalhar com armazenagem viraram peças difíceis em várias regiões.

Quando vamos perceber isso de verdade? Em alguns lugares, já dá para sentir. Mas o impacto maior deve aparecer conforme as safras crescerem e a disputa por gente treinada aumentar. O consumidor pode notar no preço, o produtor na conta da fazenda e o caminhoneiro na demora para carregar ou descarregar.

O agro continua forte, mas precisa de gente. Sem profissional preparado, a máquina moderna não resolve tudo, a colheita perde ritmo e a estrada sente o peso.

Sobre o autor

Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.

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