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CPF usado em cadastro falso trava motorista no app e vira indenização de R$ 5 mil

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CPF usado em cadastro falso trava motorista no app e vira indenização de R$ 5 mil

Um cadastro criado sem autorização com o CPF de um motorista terminou em indenização de R$ 5 mil contra a 99 Tecnologia Ltda. A decisão da 12ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais colocou no centro da discussão a segurança dos dados usados por plataformas de corrida e a vida de quem tenta trabalhar pelo aplicativo.

O motorista, morador de Contagem, na Grande BH, tentou abrir uma conta como parceiro para complementar a renda. Na hora do cadastro, descobriu que já havia um perfil ativo ligado ao seu CPF. O registro, conforme o processo, teria sido feito por outra pessoa, em outro estado, sem autorização do dono dos documentos.

Para não ficar ligado a viagens, dívidas ou eventuais problemas criados por terceiros, ele registrou boletim de ocorrência e levou o caso à Justiça. Em primeira instância, a empresa foi obrigada a retirar os dados do cadastro falso, mas o pedido de indenização havia sido negado.

No recurso, o entendimento mudou. O relator, desembargador José Américo Martins da Costa, avaliou que o uso do CPF em uma conta voltada a atividade econômica passa do simples incômodo. Para o magistrado, o motorista teve atingidos pontos ligados à identidade, à privacidade e à honra, além de ter ficado impedido de usar a plataforma de forma legítima para tentar ganhar dinheiro ao volante.

A empresa alegou que a fraude foi praticada por terceiro e informou que o próprio sistema havia identificado e bloqueado a conta antes da reclamação do autor. Também sustentou que o golpista conseguiu burlar a validação facial da plataforma. O TJMG, porém, considerou que houve falha na prestação do serviço.

A indenização foi fixada em R$ 5 mil. O valor levou em conta casos parecidos já analisados pela Justiça mineira e o risco concreto de o motorista ser associado a atos que não praticou.

O episódio reforça um ponto sensível para quem depende de aplicativo para trabalhar com carro próprio: o cadastro digital virou porta de entrada para renda, mas também precisa ter verificação segura. Quando um CPF é usado sem permissão, o problema não fica só no sistema. Ele pode travar o acesso ao trabalho, gerar medo de cobrança indevida e colocar o nome do motorista em uma conta que ele nunca criou.

A decisão aumenta a pressão sobre plataformas que conectam passageiros e condutores. Para o motorista de app, a conta não é só um login: é ferramenta de trabalho, histórico profissional e vínculo direto com o veículo usado todos os dias.

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    Sobre o autor

    Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.