Um dia de trabalho por menos de 1 kg carne pesa no bolso de quem recebe salário mínimo

Uma pessoa que recebe um salário mínimo no Brasil precisa separar praticamente um dia inteiro de trabalho para comprar carne de primeira em 2026. O valor oficial do piso nacional é de R$ 1.621 por mês, o que representa R$ 54,04 por dia de trabalho na conta proporcional divulgada pela Agência Brasil.
Esse dinheiro até permite comprar uma boa peça em algumas promoções ou cortes menos caros, mas fica curto quando o objetivo é levar 1 kg de cortes mais valorizados, como picanha, filé-mignon, alcatra e contrafilé. O cálculo mostra uma distância clara entre o valor da diária e o preço encontrado nos mercados.
Em levantamento do PET Economia da Ufac, em Rio Branco, a picanha apareceu com preço médio de R$ 67,12 por quilo em maio de 2026. O filé ficou em R$ 68,87 por quilo. Com uma diária bruta de R$ 54,04, o consumidor compraria cerca de 805 gramas de picanha ou 784 gramas de filé. Se considerar o desconto do INSS para quem recebe o piso, o valor líquido disponível por dia cai ainda mais.
Outro levantamento, feito pelo Mercado Mineiro na Região Metropolitana de Belo Horizonte, apontou o contrafilé na média de R$ 58,34 por quilo e o miolo de alcatra em R$ 58,39. Mesmo nesses cortes, que costumam ser mais acessíveis do que picanha e filé-mignon, a diária do salário mínimo não fecha 1 kg pelo preço médio pesquisado.
O impacto aparece também na cesta básica. Dados da Conab e do DIEESE mostram que, em maio de 2026, o trabalhador remunerado pelo piso precisou trabalhar, em média, 105 horas e 50 minutos para comprar os itens básicos da alimentação. O gasto comprometeu 52,01% do salário mínimo líquido, antes mesmo de despesas como aluguel, luz, gás, transporte e remédios.
A conta ajuda a explicar por que a carne de primeira virou compra mais planejada para muitas famílias. Em vez de levar 1 kg de corte nobre, o consumidor acaba escolhendo porções menores, pesquisando ofertas ou trocando por opções mais baratas. No fim da compra, a diária de R$ 54,04 mostra que o acesso à carne de primeira ainda depende muito do preço da semana, da cidade e do corte escolhido.