Poder de compra do brasileiro caiu cerca de 25% nos últimos 5 anos

Ir ao supermercado com R$ 100 hoje é uma experiência bem diferente daquela de oito anos atrás. Tomando 2018 como ponto de partida e junho de 2026 como referência, a inflação acumulada pelo IPCA fica em aproximadamente 55,7%, considerando a composição das taxas anuais divulgadas pelo IBGE e os 3,36% registrados nos seis primeiros meses de 2026.
Na prática, uma cesta de produtos e serviços que custasse R$ 100 no início de 2018 precisaria de cerca de R$ 155,65 em 2026 para manter o mesmo valor real, caso tivesse acompanhado exatamente o IPCA. Uma despesa de R$ 500 passaria para aproximadamente R$ 778, enquanto R$ 1.000 equivaleriam a cerca de R$ 1.557.
Existe outra maneira de enxergar a mesma conta. Se uma pessoa tivesse continuado recebendo exatamente os mesmos R$ 100 durante todo esse período, sem qualquer reajuste, esse dinheiro teria hoje aproximadamente 64% do poder de compra que possuía em 2018. A perda de capacidade de compra seria próxima de 36%.
O período teve um ponto especialmente pesado em 2021, quando o IPCA disparou 10,06% em apenas um ano, a maior inflação anual desde 2015. Em 2022, os preços avançaram mais 5,79%. Depois vieram altas de 4,62% em 2023, 4,83% em 2024 e 4,26% em 2025.
É por isso que muita gente percebe que o carrinho fica menor mesmo quando o valor disponível para compras aumenta. O IPCA acompanha despesas como alimentação, habitação, transportes, saúde, educação e outros gastos do dia a dia. Ele é o índice oficial usado para medir a inflação brasileira e acompanha uma cesta de consumo de famílias com renda de um a 40 salários mínimos.
Mas há um detalhe importante: inflação acumulada não significa que todos os brasileiros perderam exatamente 36% de poder de compra. O resultado depende de quanto o salário ou a renda de cada pessoa aumentou durante o mesmo período.
O salário mínimo, por exemplo, passou de R$ 954 em 2018 para R$ 1.621 em 2026, aumento nominal de quase 70%. Como esse reajuste ficou acima da inflação acumulada considerada nessa comparação, quem recebeu exclusivamente o mínimo durante todo o período teve recuperação real nessa referência, embora o orçamento individual também dependa dos produtos e serviços que mais consome.
Os dados mais recentes de renda também mostram uma recuperação depois dos anos mais difíceis. Segundo o IBGE, o rendimento médio mensal real de todas as fontes chegou a R$ 3.367 em 2025, o maior valor da série histórica da pesquisa.
Isso ajuda a explicar uma aparente contradição: a renda pode crescer em termos reais ao mesmo tempo em que o brasileiro sente que determinados gastos ficaram muito mais pesados. Cada família possui sua própria “inflação”. Quem gasta uma parcela grande do salário com aluguel, mercado, combustível ou remédios pode sentir um aperto bem maior do que o indicado pela média geral do IPCA.
A comparação dos últimos oito anos deixa um número fácil de visualizar: para comprar em 2026 algo que custava R$ 1.000 em 2018, seriam necessários aproximadamente R$ 1.557. É essa diferença silenciosa, espalhada por supermercado, contas, serviços e despesas mensais, que faz o dinheiro parecer cada vez menor dentro da carteira.
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