Picanha virou promessa distante a carne bovina fica mais cara e perde espaço no prato do brasileiro

A picanha voltou ao centro do debate político e econômico no Brasil. Usada pelo presidente Lula como símbolo de melhora na vida do trabalhador, a carne nobre virou uma espécie de termômetro do bolso das famílias. O problema é que, o churrasco segue pesando mais no orçamento, e a carne bovina começa a perder espaço para opções mais baratas, como frango, ovo e carne suína.
Durante a campanha e em falas públicas depois da eleição, Lula associou a volta da picanha à recuperação da economia e ao aumento do poder de compra. Em março de 2025, o presidente voltou ao tema ao dizer que “a carne vai abaixar” e que os brasileiros voltariam a comer picanha.
Os dados mais recentes do mercado, porém, mostram um cenário mais apertado para a carne bovina. Segundo a Conab, a produção total das três principais proteínas, frango, suíno e bovina, pode chegar a 32,6 milhões de toneladas em 2026. O número parece positivo, mas o detalhe está na composição: o crescimento vem puxado pelo frango e pelo suíno, enquanto a carne bovina deve recuar por causa da menor disponibilidade de animais para abate.
A Conab estima que a produção de carne bovina caia para 10,89 milhões de toneladas em 2026. Ao mesmo tempo, as exportações devem seguir fortes, próximas de 4,25 milhões de toneladas. Com isso, a quantidade disponível para o mercado interno deve cair para 6,67 milhões de toneladas.
No preço, o impacto já aparece. Levantamento do Cepea mostra que a carne bovina no atacado atingiu recorde real em abril de 2026, com alta de 44,8% em relação a abril de 2024. O centro de estudos aponta oferta limitada de animais prontos para abate e demanda externa aquecida como fatores que pressionam os valores.
Enquanto isso, a carne suína ganhou competitividade. Em março de 2026, o Cepea informou que a diferença de preço entre a carcaça bovina e a suína chegou ao maior nível em quatro anos, abrindo espaço para troca no carrinho do consumidor.
O resultado é um contraste político claro: a picanha segue forte no discurso, mas a mesa do brasileiro está se adaptando ao preço. Para muita gente, o churrasco não desapareceu, mas mudou de corte, de frequência e de proteína.
