Gurgel Itaipu o elétrico brasileiro que chegou cedo demais

O Gurgel Itaipu parece uma invenção recente quando se olha para a ideia por trás dele: carro pequeno, elétrico, urbano, silencioso e feito para rodar em trajetos curtos. Só que esse projeto apareceu no Brasil em 1974, quando falar em carro elétrico ainda parecia algo distante para a maioria das pessoas.
Criado pela Gurgel Motores, empresa do engenheiro João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, o Itaipu E150 foi apresentado no Salão do Automóvel e entrou para a história como o primeiro carro elétrico brasileiro. O modelo também é lembrado como o primeiro carro elétrico da América Latina, um feito ousado para uma indústria nacional que ainda buscava espaço entre marcas maiores.
O nome Itaipu veio da usina hidrelétrica que estava em construção naquele período. A escolha combinava com a proposta do carro, já que a ideia era mostrar um veículo movido por eletricidade em um momento em que o mundo sentia os efeitos da crise do petróleo.
O Itaipu E150 era bem pequeno. Tinha dois lugares, carroceria de fibra de vidro e um desenho simples, quase geométrico. A proposta não era disputar desempenho com os carros tradicionais, mas resolver deslocamentos urbanos com baixo custo de uso. Seu motor elétrico entregava cerca de 4 cv, e a velocidade ficava na faixa dos 50 km/h.
A autonomia era estimada entre 60 e 80 km por carga, suficiente para deslocamentos curtos dentro da cidade. A recarga podia levar cerca de 10 horas, feita em tomada comum. O grande obstáculo estava nas baterias de chumbo-ácido, pesadas, caras e limitadas para um carro tão pequeno.
O projeto era avançado no conceito, mas preso à tecnologia da época. O peso das baterias, a baixa autonomia e a falta de estrutura para recarga dificultaram a chegada do Itaipu ao consumidor comum. O carro acabou ficando mais conhecido como protótipo histórico do que como produto de rua.
Anos depois, a Gurgel tentou levar a eletrificação para um uso mais prático com o Itaipu E-400, um utilitário elétrico voltado para empresas e serviços urbanos. Ele reforçou a visão da marca de criar soluções nacionais, simples e funcionais.
O Gurgel Itaipu virou uma peça importante da memória automotiva brasileira porque mostrou que o país já pensava em carro elétrico décadas antes da onda atual. O projeto não venceu o mercado, mas deixou uma marca forte: a de um carro pequeno, estranho para sua época e muito à frente do que o Brasil conseguia produzir em escala naquele momento.
Comentários
0