Caminhoneiro passa até 120 dias na estrada e advogado alerta para ‘folga’ dentro do caminhão
Motoristas que passam semanas ou até meses seguidos longe de casa estão levantando uma discussão sobre como algumas folgas são cumpridas durante as viagens. Há relatos de caminhoneiros permanecendo 60, 90 e até 120 dias na estrada, enquanto determinados períodos parados são registrados como descanso.
O problema é que, em alguns casos, o motorista continua ao lado do caminhão e responsável por cuidar do veículo, dos acessórios e da carga.
Durante uma conversa publicada pelo canal Vida de Estradeiro, um profissional da área jurídica explicou que esse período pode acabar muito distante da ideia comum de folga. O caminhoneiro fica parado em posto ou pátio, mas não consegue simplesmente deixar o veículo e seguir com seu dia.
“Não é folga de verdade”, afirmou durante a entrevista.
Um motorista ouvido no vídeo contou que já permaneceu cerca de 80 dias fora de casa. Segundo ele, a distância da família, principalmente dos filhos pequenos, foi um dos motivos que pesaram para deixar a empresa onde trabalhava.
Outro ponto citado é o DSR, o descanso semanal remunerado. Na rotina apresentada no vídeo, empresas orientariam o motorista a registrar no sistema do caminhão que está em DSR, mesmo quando o profissional continua parado na estrada.
O advogado recomenda que o caminhoneiro registre as condições em que esse descanso acontece. A orientação apresentada é gravar vídeos mostrando a data, o local onde o caminhão está estacionado, as condições do posto, a estrutura disponível e a necessidade de permanecer próximo ao veículo.
A gravação, segundo ele, não precisa ser publicada em redes sociais. O material serviria como registro caso futuramente seja necessário discutir se aquele período realmente poderia ser tratado como folga.
Durante a entrevista também foi defendida uma mudança na organização das viagens. Uma das possibilidades seria evitar que o mesmo motorista permanecesse por períodos tão longos rodando, criando pontos de apoio e escalas que permitissem retornos mais frequentes para casa.
Também foi citada a possibilidade de compensação. Um motorista que permanecesse 15 dias viajando, por exemplo, poderia receber vários dias seguidos de descanso quando retornasse.
Para os participantes da conversa, a dificuldade de manter profissionais nas transportadoras também passa por esse tipo de rotina. Ficar dois ou três meses longe da família acaba afastando trabalhadores que já não aceitam permanecer tanto tempo seguido na estrada.
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