Caminhoneiros lembram do passado: “Antes dava para comprar uma casa, hoje mal sobra para fechar o mês”

Quem conversa com caminhoneiros mais experientes costuma ouvir a mesma frase: “Antigamente dava para fazer patrimônio.” Muitos contam que, com o dinheiro do caminhão, conseguiram comprar terrenos, construir a casa própria, trocar de caminhão, adquirir carros e garantir uma vida mais tranquila para a família.
Hoje, a conversa mudou. Apesar de muitos motoristas continuarem trabalhando longas jornadas e passando semanas fora de casa, boa parte afirma que a renda já não acompanha o aumento das despesas. Combustível, manutenção, pneus, alimentação e o custo de vida pesam cada vez mais no orçamento.
Não é raro encontrar caminhoneiros que passam o mês inteiro viajando e, mesmo assim, enfrentam dificuldades para pagar aluguel, financiar um veículo ou manter as contas em dia. Em alguns casos, o lucro da viagem diminui tanto que sobra apenas o suficiente para manter o caminhão rodando.
Motoristas mais antigos lembram que, décadas atrás, o frete tinha um poder de compra maior. Com planejamento, muitos conseguiram comprar lotes, investir em imóveis e formar patrimônio. Atualmente, vários profissionais dizem que o principal objetivo passou a ser apenas garantir o sustento da família e manter as despesas básicas em dia.
Esse cenário também afasta novos profissionais da atividade. Muitos jovens enxergam a rotina pesada, os altos custos da profissão e a dificuldade de crescimento financeiro como motivos para buscar outras áreas de trabalho.
Mesmo diante das dificuldades, milhares de caminhoneiros continuam cruzando o país diariamente. Para muitos deles, a esperança é que a valorização do frete e melhores condições de trabalho permitam que a profissão volte a oferecer oportunidades semelhantes às que marcaram a trajetória das gerações anteriores.
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