Vale a pena dirigir caminhão na Europa? Três brasileiros respondem sem esconder as dificuldades

Uma live apresentada por João Neto do Brasil do Trecho reuniu três caminhoneiros brasileiros que vivem momentos diferentes na Europa. Isaac está na Espanha, Paulo chegou à Lituânia e aguarda o fim da documentação, enquanto Natalino já trabalha há quase quatro anos no continente.
Isaac tem 34 anos e era sargento do Exército no Brasil. Após descobrir que sua família tinha direito à cidadania italiana, ele passou dois anos juntando dinheiro e preparando a mudança. Mesmo com passaporte europeu, não começou dirigindo caminhão. Trabalhou em armazém, fábrica, pintura e outras atividades até conseguir entrar no transporte.
Para ele, sair do Brasil sem planejamento pode transformar o sonho em problema. Isaac recomenda viajar de forma regular, conferir cada documento e buscar orientação de pessoas que conheçam o processo. Ele também criou um perfil nas redes sociais para compartilhar vagas e informações que não encontrou quando decidiu mudar de país.
Paulo chegou à Lituânia levando quase 16 anos de experiência nas estradas brasileiras. Ele ainda espera os documentos necessários para começar a dirigir e afirma que pretende mostrar sua rotina sem esconder os pontos bons ou ruins. Por ainda não ter iniciado o trabalho no caminhão, ele evita dar uma avaliação definitiva sobre a empresa e as condições encontradas.
Natalino tem mais de 20 anos de profissão e está perto de completar quatro anos trabalhando pela Lituânia. No processo dele, a empresa pagou os custos da viagem e da contratação. A experiência, porém, não foi imediata: houve espera por documentos, treinamento e adaptação às regras do país.
Durante a conversa, Natalino contou que já viu motoristas desistirem pouco depois da chegada. Alguns não suportaram a distância da família, a solidão nas estradas ou o período de espera. Segundo ele, a mudança precisa ser pensada com calma, pois abandonar o processo também pode prejudicar futuras contratações de brasileiros.
Passaporte, comprovação de experiência, cartas das antigas empresas, residência, habilitação profissional, contratos e idade máxima estavam entre as principais dúvidas da live. João Neto também alertou para pessoas que cobram dinheiro prometendo vagas ou facilidades sem apresentar uma empresa verdadeira.
As regras não são iguais em todos os países. Na Lituânia, estrangeiros que pretendem trabalhar geralmente precisam obter uma autorização temporária de residência. Os pedidos feitos no exterior passam pelo sistema MIGRIS, e o Brasil está entre os países com atendimento de uma empresa externa autorizada pelo governo lituano.
Motoristas profissionais de países de fora da União Europeia também precisam cumprir as exigências de qualificação profissional. Uma delas é o chamado Código 95, usado para comprovar a formação exigida para trabalhar com transporte de cargas ou passageiros no bloco europeu.
Na Espanha, o visto de procura de emprego com duração de 12 meses não é uma autorização aberta para qualquer trabalhador. A regra prevê o documento para filhos ou netos de espanhóis de origem e para determinadas profissões e regiões definidas pelos programas oficiais de contratação.
Os três relatos mostram que uma vaga na Europa pode abrir novas possibilidades, mas a mudança exige dinheiro guardado, documentação correta, preparo emocional e contato direto com empresas ou recrutadores que possam ser verificados. A espera, a distância da família e a adaptação às leis locais começam antes mesmo da primeira viagem com o caminhão.
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