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Ônibus

Ônibus de R$ 2 milhões contrastam com salário de R$ 3 mil e falta de motoristas

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Ônibus de R$ 2 milhões contrastam com salário de R$ 3 mil e falta de motoristas

A falta de motoristas de ônibus rodoviário já virou um dos principais gargalos das empresas de viagens interestaduais no Brasil. Dados divulgados pela Abrati em julho de 2026 apontam um déficit próximo de 30% no setor. Hoje, pouco mais de 60 mil profissionais atuam nesse mercado, enquanto a necessidade estimada chega perto de 86 mil condutores.

O contraste aparece quando o valor dos veículos é colocado ao lado do salário pago a quem assume a direção. Um ônibus rodoviário zero-quilômetro com configuração convencional já pode superar R$ 1,1 milhão. Nos modelos de dois andares, equipados com poltronas leito, sistemas eletrônicos, ar-condicionado, banheiro e recursos de segurança, o preço pode passar de R$ 2 milhões.

Enquanto isso, levantamentos baseados nos registros do Caged indicam média salarial nacional de aproximadamente R$ 2.880 por mês para motorista de ônibus rodoviário, com jornada média de 43 horas semanais. A mediana fica perto de R$ 2.907, o que mostra que boa parte dos contratados permanece na faixa dos R$ 3 mil.

Os acordos coletivos também revelam diferenças entre regiões e empresas. Um acordo válido para linhas intermunicipais e interestaduais em São Paulo estabeleceu piso de R$ 3.144,99 em 2025. Em outro contrato de fretamento, o salário-base chegou a R$ 3.030,37 no início de 2026. Há pisos maiores, mas os valores continuam distantes da responsabilidade assumida pelo condutor.

Além de controlar um veículo pesado e caro, o motorista transporta dezenas de passageiros, enfrenta viagens noturnas, horários apertados, períodos longe da família e trânsito intenso. A profissão ainda exige CNH categoria D, cursos específicos, exames médicos e experiência compatível com operações de longa distância.

A dificuldade para renovar os quadros também está ligada ao envelhecimento dos profissionais e à baixa procura de jovens. A Abrati informa que empresas já incentivam aposentados a permanecerem na ativa para cobrir escalas. Em paralelo, companhias começaram a criar escolas próprias e programas gratuitos de formação para atrair novos candidatos.

O salário não é o único motivo da escassez, mas ocupa uma posição central. Quando um profissional compara a rotina, a cobrança e o risco diário com remunerações próximas de R$ 3 mil, outras atividades passam a parecer mais vantajosas. O resultado é uma frota cada vez mais moderna nas garagens e uma disputa crescente por pessoas qualificadas para conduzi-la. Para as viações, cada vaga aberta aumenta o custo de treinamento, limita novas escalas e reduz a margem para substituir profissionais afastados.

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    Sobre o autor

    Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.