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Ônibus de R$ 3,4 milhões chegam a Brasília e expõem contraste com salário de motoristas

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Ônibus de R$ 3,4 milhões chegam a Brasília e expõem contraste com salário de motoristas

Brasília se prepara para colocar em circulação uma frota que chama atenção pelo nível de tecnologia e pelo preço. O Distrito Federal deve receber 90 ônibus 100% elétricos, fabricados pela chinesa CRRC e negociados pela Viação Piracicabana. Cada unidade tem custo médio estimado em R$ 3,4 milhões.

Somente os veículos representam cerca de R$ 306 milhões. A estrutura necessária para manter a operação também exige investimento alto. A instalação de 12 carregadores em uma garagem pode custar aproximadamente R$ 20 milhões, conforme informações divulgadas pela Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal.

Os novos ônibus elétricos em Brasília devem atender linhas entre a Rodoviária do Plano Piloto, Terminal da Asa Sul, Esplanada dos Ministérios, Universidade de Brasília, W3, L2 Sul, L2 Norte e Aeroporto. A previsão é transportar aproximadamente 60 mil passageiros por dia.

O modelo elétrico reduz ruído, dispensa o uso de diesel durante a operação e ajuda a diminuir a emissão de poluentes na cidade.

O avanço tecnológico, porém, cria um contraste difícil de ignorar. Enquanto um único ônibus custa milhões de reais, a remuneração de quem assume diariamente a responsabilidade de conduzir passageiros permanece em outro patamar. Levantamentos salariais baseados em registros do mercado formal indicam valores mensais próximos de R$ 2,5 mil a R$ 3 mil para motoristas de ônibus urbano em Brasília, dependendo da empresa, da experiência e dos benefícios.

A função exige habilitação específica, atenção constante, controle emocional e responsabilidade sobre dezenas de pessoas em cada viagem. O motorista também enfrenta trânsito pesado, horários rígidos, conflitos dentro do veículo, risco de acidentes e pressão para cumprir itinerários.

Nos ônibus elétricos, ainda existe a necessidade de treinamento para lidar com novos comandos, sistemas eletrônicos, frenagem regenerativa e procedimentos ligados à autonomia da bateria.

A diferença entre o valor investido na máquina e o reconhecimento dado ao profissional pode aumentar a sensação de desvalorização e o desânimo no setor. Frota moderna depende de condutores preparados, descansados e motivados para operar equipamentos caros com segurança.

O acordo coletivo aprovado em 2024 concedeu reajuste de 6,6% aos rodoviários do DF. Em 2026, um projeto ainda em análise na Câmara propôs piso nacional de R$ 4 mil para motoristas de transporte coletivo em grandes cidades.

O Distrito Federal já possui seis ônibus elétricos em circulação. Com a chegada das novas unidades, a tecnologia deve ganhar espaço rapidamente, enquanto salário, treinamento e condições de trabalho acompanham a transformação da frota.

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    Sobre o autor

    Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.