Bolsa Família supera emprego com carteira em cinco estados do Nordeste, mostra levantamento

Cinco estados do Nordeste registravam, em fevereiro de 2026, mais famílias recebendo Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada. A situação aparece no Maranhão, Piauí, Bahia, Paraíba e Alagoas.
O dado não é do IBGE. O levantamento foi feito a partir do cruzamento das informações do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), responsável pelo Bolsa Família, com os registros do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), ligado ao Ministério do Trabalho.
O Maranhão apresenta a maior diferença. Em fevereiro havia 696.947 empregos formais contra 1.156.990 famílias atendidas pelo Bolsa Família. A diferença chega a 460.043 famílias.
No Piauí, eram 383.137 trabalhadores com carteira assinada diante de 546.474 famílias no programa, uma diferença de 163.337.
A Bahia tinha 2.245.506 empregos formais e 2.331.420 famílias recebendo o benefício. Na Paraíba, eram 544.615 empregos contra 621.064 famílias no programa. Já Alagoas registrava 477.396 empregos formais e 498.185 famílias beneficiárias.
| Estado | Empregos formais | Famílias no Bolsa Família | Diferença |
|---|---|---|---|
| Maranhão | 696.947 | 1.156.990 | 460.043 |
| Piauí | 383.137 | 546.474 | 163.337 |
| Bahia | 2.245.506 | 2.331.420 | 85.914 |
| Paraíba | 544.615 | 621.064 | 76.449 |
| Alagoas | 477.396 | 498.185 | 20.789 |
Os números mostram que a maior distância está no Maranhão. Para cada comparação, porém, é preciso lembrar que o dado do Bolsa Família considera famílias, enquanto o Caged contabiliza vínculos formais de trabalho.
O quadro não aparece em todo o Nordeste. Ceará, Pernambuco e Sergipe, que estavam nessa situação no levantamento de 2025, deixaram a lista em 2026.
Além dos cinco estados nordestinos, quatro estados do Norte também tinham mais famílias no Bolsa Família do que empregos com carteira: Pará, Amazonas, Acre e Amapá. No total, nove estados brasileiros estavam nessa condição em fevereiro.
O número vem caindo. Em fevereiro de 2023 e de 2024, 13 estados estavam nessa situação. Em 2025 eram 12 e, neste ano, o total caiu para nove.
A comparação precisa ser lida com cuidado. Uma família que recebe Bolsa Família pode ter uma pessoa trabalhando com carteira assinada e continuar no programa, dependendo da renda familiar. Por isso, Bolsa Família e emprego formal não representam necessariamente dois grupos separados.
Os dados do mercado de trabalho mostram essa ligação. Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil criou cerca de 699,7 mil empregos formais, e aproximadamente 438,3 mil dessas novas vagas foram ocupadas por beneficiários do Bolsa Família, o equivalente a 62,6% do saldo registrado no período.
No Brasil inteiro, o levantamento de fevereiro apontava 48,8 milhões de trabalhadores formais e 18,8 milhões de famílias no Bolsa Família. A diferença encontrada em alguns estados está concentrada principalmente em regiões onde o mercado formal de trabalho ainda tem participação menor em relação à população atendida pelos programas sociais.
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