Transportadoras buscam caminhoneiros e Brasil pode ter 200 mil contratações até o fim do ano

O Brasil pode registrar cerca de 207 mil contratações de motoristas de caminhão entre setembro e dezembro, caso o ritmo recente de admissões continue nos últimos quatro meses de 2026. O número é uma projeção feita a partir dos registros do Caged e mostra o tamanho da movimentação de trabalhadores em uma profissão na qual as empresas ainda têm dificuldade para encontrar gente.
Dados do Caged referentes aos 12 meses entre julho de 2025 e junho de 2026 apontam 621.558 admissões de profissionais da família ocupacional de motoristas de caminhão. Isso representa uma média próxima de 51,8 mil contratações por mês. Mantida essa velocidade, seriam aproximadamente 207 mil admissões de setembro até dezembro.
Isso não significa a criação de 207 mil novas vagas. O setor também apresenta uma rotatividade alta. No mesmo período foram registrados 626.965 desligamentos. Na prática, boa parte das empresas contrata para substituir profissionais que deixaram o emprego, mudaram de transportadora ou saíram da atividade.
E mesmo contratando milhares de pessoas todos os meses, ainda falta motorista.
Levantamento divulgado em julho mostrou 4.966 vagas abertas para motoristas em uma única plataforma de empregos. Ao mesmo tempo, estimativas divulgadas pelo setor apontam um déficit superior a 120 mil motoristas profissionais no Brasil.
A dificuldade aparece também dentro das transportadoras. Pesquisa apresentada pela CNT mostra que 65,1% das empresas do transporte rodoviário de cargas relatam falta de motoristas profissionais, enquanto 44,6% ainda possuem vagas abertas.
Outro levantamento, feito pela Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL), encontrou um problema ainda maior: 88,9% das empresas pesquisadas apontaram a falta de profissionais qualificados como a principal dificuldade para manter ou aumentar o quadro de motoristas. Para 66,7%, a própria profissão perdeu atratividade.
A renovação da categoria também anda devagar. Dados da CNT mostram idade média de 45,3 anos entre os caminhoneiros, enquanto apenas 9,5% têm menos de 30 anos. Ou seja, há contratação acontecendo em grande volume, mas poucos profissionais jovens entrando para ocupar o espaço deixado por quem abandona ou se aposenta da profissão.
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