Grupo ligado ao transporte rodoviário pede recuperação judicial e dívida passa de R$ 128 milhões
Um grupo empresarial com forte atuação no transporte rodoviário de cargas entrou em recuperação judicial em Mato Grosso. A Justiça deferiu o processamento do pedido envolvendo o Grupo Bozetti, que reúne negócios ligados a transporte, logística, mineração, agropecuária, participações e energia.
O caso tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá, no Núcleo de Falência e Recuperação Judicial. O edital publicado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso confirma o deferimento do processamento e apresenta a relação inicial de credores.
Segundo dados retirados do processo e analisados pelo Fatos de Mato Grosso, aproximadamente R$ 61,47 milhões estão submetidos à recuperação judicial. Outros R$ 67,07 milhões correspondem principalmente a créditos que possuem garantias fiduciárias e ficam fora do plano. Somadas as duas partes, o endividamento declarado chega a cerca de R$ 128,5 milhões.
Boa parte das dívidas fora da recuperação está relacionada a financiamentos de caminhões, implementos rodoviários e equipamentos.
Entre os credores aparecem bancos e instituições ligadas diretamente ao setor de veículos pesados, incluindo Banco Volvo, Mercedes-Benz, Paccar, Randon, Scania e Rodobens, além de grandes instituições financeiras.
Só o sistema financeiro concentra cerca de R$ 98 milhões do endividamento total informado. Sicredi Sudoeste MT/PA, Santander, Bradesco, Sicoob Credisul e Safra aparecem entre os maiores credores do grupo.
No grupo das dívidas que efetivamente entram na recuperação, chama atenção um crédito quirografário de R$ 25,5 milhões pertencente a uma pessoa física. O edital não informa a origem desse valor. O Bradesco aparece em seguida nessa classe com pouco mais de R$ 14,3 milhões.
Transportadoras aparecem no processo
Nos registros judiciais aparecem nomes ligados diretamente à atividade de transporte, entre eles Bozetti Transportes, Bozetti Multisserviços Logísticos e Comerciais e Transportadora Flecha, além da Pérola Mineração e integrantes da família Bozetti.
Há, porém, uma diferença entre os nomes apresentados em diferentes trechos da própria documentação judicial. Em uma parte aparecem essas empresas e pessoas físicas; em outra, a decisão faz referência a empresas denominadas Bozetti Transportes, Bozetti Transportes e Logística, Bozetti Mineração, Bozetti Agropecuária, Bozetti Participações e Bozetti Energia. A divergência também foi apontada na reportagem que analisou o edital.
A recuperação judicial não significa que as empresas foram declaradas falidas. O mecanismo permite que companhias em dificuldade financeira continuem operando enquanto tentam renegociar parte das dívidas com seus credores.
A Justiça também determinou medidas para preservar bens considerados necessários às atividades do grupo durante o período de suspensão das cobranças. Segundo a decisão divulgada, credores ficaram impedidos de realizar determinadas medidas de apreensão ou constrição sobre patrimônio considerado protegido nesse período, sob pena de multa.
O processo está sob administração da Zapaz Administração Judicial, que deverá acompanhar as contas das empresas e o cumprimento das etapas da recuperação.
Para o setor rodoviário, um dos pontos mais sensíveis será justamente a situação dos caminhões financiados, já que parte relevante dessas obrigações possui garantia fiduciária e não fica sujeita às mesmas regras aplicadas às dívidas incluídas no plano de recuperação.
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