Caminhoneiro na comissão pode passar de R$ 7 mil por mês enquanto salário CLT fica perto de R$ 2,7 mil
Trabalhar recebendo uma porcentagem sobre os fretes pode colocar mais dinheiro no bolso do caminhoneiro em meses de muito serviço. Em algumas operações do transporte rodoviário, motoristas recebem percentuais que ficam na casa de 11% a 14% sobre determinado valor de frete, dependendo do contrato e da forma usada pela transportadora para fazer a conta.
Não existe, porém, uma comissão nacional oficial de 11% a 14%. Os percentuais mudam bastante entre empresas, regiões e convenções coletivas. Há inclusive acordos registrados no Ministério do Trabalho em 2026 prevendo comissão de 3,15%, 3,75%, 4% ou 4,5% sobre diferentes definições de frete líquido.
Também existem registros trabalhistas de motoristas remunerados com percentuais maiores. Em um processo analisado pela Justiça do Trabalho, por exemplo, aparecem pagamentos de 10% a 12%, dependendo do faturamento alcançado pelo caminhão.
Quanto um caminhoneiro pode ganhar com 11% a 14%?
A diferença fica mais fácil de entender fazendo uma conta simples.
Se o valor usado para calcular a comissão for de R$ 50 mil no mês, 11% representam R$ 5.500. Com 14%, seriam R$ 7.000.
Se esse valor chegar a R$ 70 mil, a comissão seria de R$ 7.700 a R$ 9.800.
Isso não significa necessariamente que todo esse dinheiro será o valor líquido levado para casa. Algumas empresas calculam a porcentagem sobre o frete líquido, depois de retirar itens como impostos, pedágios, combustível, Arla ou outras despesas previstas no acordo. Em outras operações, a base de cálculo é diferente.
Um acordo coletivo válido entre maio de 2026 e abril de 2027, por exemplo, estabelece comissão sobre o frete após dedução de ICMS e pedágios. Outro instrumento coletivo desconta também combustível, Arla e outras despesas antes da aplicação do percentual.
Salário-base do motorista está perto de R$ 2,7 mil
Para comparação, dados do Caged compilados pelo Portal Salário mostram que o salário-base médio de um motorista de caminhão está em R$ 2.732,88 por mês em 2026, considerando registros entre agosto de 2025 e julho de 2026.
A mediana aparece em R$ 2.734. Esses números consideram somente o salário registrado e não incluem comissão, horas extras, adicional noturno, periculosidade ou outros pagamentos.
Por isso, comparar apenas o salário-base com o rendimento de um motorista comissionado pode produzir uma diferença grande.
Há ainda um detalhe importante: receber comissão não significa trabalhar fora da CLT. Um motorista registrado pode perfeitamente ter sua remuneração formada por salário e comissão ou até por remuneração variável, desde que sejam respeitados contrato, convenção coletiva e legislação trabalhista.
A própria CLT permite que o motorista profissional seja remunerado conforme distância percorrida, tempo de viagem, natureza ou quantidade da carga e também por comissão. A regra é que esse pagamento não pode incentivar o descumprimento das normas de descanso nem colocar a segurança rodoviária em risco.
Na prática, o modelo de comissão costuma favorecer quem roda bastante e trabalha em operações com bom faturamento. Ao mesmo tempo, a renda pode oscilar de um mês para outro quando diminuem os fretes, surgem períodos de espera ou o caminhão fica parado.
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