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Caminhoneiro

Brasil sofre com falta de caminhoneiros e 88% das transportadoras têm dificuldade para contratar

5 minutos de leitura
FALTA-MOTORISTA

O Brasil enfrenta dificuldades para encontrar novos motoristas de caminhão, e a falta de profissionais já deixa veículos parados nos pátios das transportadoras. Empresas que trabalham com transporte rodoviário de cargas relatam problemas para preencher vagas, enquanto motoristas experientes envelhecem e poucos jovens demonstram interesse em seguir a profissão.

Uma pesquisa da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), realizada em 2025 e divulgada em 2026, apontou que 88% das transportadoras enfrentam dificuldades para contratar motoristas e profissionais agregados.

Entre as empresas que relataram veículos parados por falta de condutores, a média chegou a oito caminhões fora de operação. O problema atinge transportadoras que dependem de motoristas habilitados para conduzir caminhões, carretas e combinações de veículos de carga.

Falta de motoristas já afeta o transporte de cargas no Brasil

Dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostram que 65,1% das empresas do transporte rodoviário de cargas apontam a dificuldade de encontrar motoristas como um problema de contratação.

Outro levantamento da entidade revelou que 44,6% das transportadoras de cargas tinham vagas abertas para motoristas profissionais.

A dificuldade não está apenas na abertura de novas vagas. As empresas também precisam substituir trabalhadores que deixam a atividade, se aposentam ou procuram outras oportunidades de emprego.

O transporte rodoviário participa diretamente do abastecimento de supermercados, da distribuição de combustíveis, do agronegócio e da movimentação de produtos industriais.

Quando uma transportadora mantém caminhões parados por falta de motoristas, sua capacidade de realizar entregas diminui, o que pode provocar atrasos e aumentar os custos operacionais.

Motoristas envelhecem e jovens não entram na profissão no mesmo ritmo

A renovação dos caminhoneiros se tornou uma das principais dificuldades do setor.

Pesquisa divulgada em dezembro de 2025 pela Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) revelou que a idade média dos caminhoneiros autônomos brasileiros chegou a 46 anos.

O levantamento também mostrou que 34% desses profissionais já tinham 50 anos ou mais, indicando o envelhecimento de uma parcela expressiva da categoria.

A rotina nas estradas ajuda a explicar por que muitos jovens não demonstram interesse pela atividade. Viagens prolongadas, períodos longe da família, riscos de acidentes, insegurança e pressão para cumprir prazos fazem parte das dificuldades relatadas no transporte rodoviário.

Além disso, a profissão exige experiência na condução de veículos pesados, conhecimento das regras de trânsito e preparação para enfrentar diferentes condições das rodovias.

CNH categoria E e custos de formação dificultam entrada de novos caminhoneiros

Para trabalhar com determinadas combinações de caminhões, carretas e semirreboques, o motorista precisa possuir Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria E.

A formação de novos profissionais envolve requisitos legais, avaliações e, em algumas operações, cursos específicos para o transporte de determinados tipos de carga.

O custo e o tempo necessários para obter habilitações profissionais também foram apontados pela CNT como obstáculos à entrada de novos trabalhadores.

Em apresentação realizada na Câmara dos Deputados em 2025, o setor destacou que o custo da habilitação profissional podia chegar a R$ 6 mil, considerando as condições existentes naquele período. Mudanças posteriores nas regras de formação podem alterar esses valores.

Salários, diesel e condições de trabalho pesam na escolha da profissão

A remuneração é outro fator que influencia a decisão de continuar ou ingressar no transporte de cargas.

No caso dos motoristas contratados por transportadoras, o salário pode variar conforme a região, o tipo de veículo, a experiência profissional e as características das viagens.

Já os caminhoneiros autônomos precisam administrar despesas como combustível, pneus, manutenção, financiamento do caminhão, seguros e pedágios.

O faturamento obtido com os fretes não representa necessariamente o dinheiro que permanece com o motorista depois do pagamento dessas despesas.

Para quem trabalha com caminhões de marcas como Scania, Volvo e Mercedes-Benz, a manutenção preventiva e o consumo de diesel também fazem parte do planejamento financeiro da operação.

Caminhões ficam parados enquanto transportadoras procuram profissionais

A dificuldade de contratação já influencia as decisões de empresas que pretendem ampliar suas operações.

Mesmo com caminhões disponíveis, algumas transportadoras não conseguem colocar todos os veículos nas estradas por falta de profissionais habilitados.

Em reportagem divulgada em maio de 2026, a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) relatou o caso de uma empresária do setor logístico que afirmou manter cerca de 20 caminhões parados por não conseguir contratar motoristas.

A escassez também aumenta a importância de iniciativas voltadas à formação de condutores, à melhoria das condições de trabalho e à permanência dos profissionais que já atuam no setor.

Número de motoristas habilitados caiu 22% em dez anos

Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), analisados pelo Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), apontam que o número de condutores habilitados nas categorias C e E caiu de aproximadamente 5,6 milhões em 2015 para 4,4 milhões em 2025.

A redução de 22% em uma década ajuda a explicar a dificuldade das transportadoras para encontrar profissionais. Os números abrangem condutores habilitados nessas categorias, não apenas aqueles que trabalham atualmente como caminhoneiros.

Outra informação da pesquisa da CNTA revela a dificuldade de manter a tradição familiar no transporte: 86% dos caminhoneiros autônomos entrevistados afirmaram que nenhum de seus filhos pretende seguir a profissão.

O mesmo levantamento identificou que 23% dos entrevistados desejavam deixar a atividade e 82% não se sentiam valorizados. Foram ouvidos 2.002 caminhoneiros autônomos entre junho e agosto de 2025.

Diante da falta de novos profissionais, a contratação e a formação de motoristas de caminhão passaram a ocupar mais espaço nas discussões do setor de transporte rodoviário brasileiro.

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Sobre o autor

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.