Caminhoneiros dos EUA ameaçam parar o país por causa do diesel caro
Um movimento que começou em grupos de WhatsApp e fóruns de motoristas está ganhando força nos Estados Unidos. Caminhoneiros de diversos estados combinam parar de rodar em outubro, em protesto contra o preço do diesel e o valor pago por carga transportada, que segundo eles não acompanha o custo de manter o caminhão na estrada.
A reclamação não é nova, mas voltou com mais intensidade depois que o litro do combustível voltou a subir nos postos americanos. Motoristas autônomos dizem que o frete pago por milha rodada está estagnado há anos, enquanto manutenção, pedágio e seguro de carga só aumentam. Para quem vive de transportar mercadoria de um estado a outro, a conta começou a não fechar.
Nas redes, vídeos de caminhões parados em pátios e postos de combustível circulam com a hashtag ligada ao movimento. Ainda não há confirmação de uma data única e nacional, e associações do setor têm evitado comentar publicamente o tamanho real da adesão. Mas o clima entre os motoristas é de que, se a paralisação pegar tração, pode afetar o abastecimento de supermercados e lojas em várias regiões do país.
Enquanto isso, do outro lado da cadeia logística, uma notícia reforça o temor de quem vive do volante. A IKEA fechou parceria com a Kodiak Robotics para rodar cargas sem motorista em rotas de longa distância nos Estados Unidos. A tecnologia já vinha sendo testada em trechos do Texas, e a expectativa da empresa sueca é ampliar o uso de caminhões autônomos para reduzir custo e tempo de entrega. Para os caminhoneiros que já reclamam de frete baixo, a notícia caiu como mais um sinal de que a profissão está sob pressão de dois lados: o bolso e a tecnologia.
O momento também é marcado por um caso que chocou o setor. Um acidente grave em Indiana, envolvendo um motorista de caminhão que estava no país sem documentação regular, terminou em mortes e abriu uma investigação sobre a contratação de condutores por transportadoras menores. Como consequência direta, quatro empresas de transporte encerraram as operações depois do episódio, alegando dificuldade em manter contratos e seguros após o caso ganhar repercussão nacional.
O episódio reacendeu um debate antigo nos Estados Unidos sobre fiscalização de carteiras de motorista comercial emitidas para quem não tem status migratório regularizado. Algumas transportadoras já afirmam ter reforçado a checagem de documentos antes de colocar um motorista na estrada, por medo de responder judicialmente em casos semelhantes.
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