Falta de vagas no Nordeste leva caminhoneiros a procurar trabalho longe de casa
A diferença na oferta de empregos para caminhoneiros entre as regiões brasileiras coloca o Nordeste em desvantagem diante de São Paulo e dos estados do Sul. Com menos oportunidades de contratação, motoristas nordestinos podem encontrar no deslocamento para outros estados uma alternativa para continuar trabalhando no transporte rodoviário de cargas.
Dados do Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC), com base no Novo Caged, mostram que o Nordeste registrou saldo negativo de 233 empregos formais para motoristas de caminhão entre janeiro e novembro de 2025.
No mesmo período, o Sul criou 3.900 postos de trabalho, enquanto o Sudeste apresentou saldo positivo de 2.913 vagas. Os números consideram admissões menos desligamentos, e não todas as vagas anunciadas pelas transportadoras.
A diferença também aparece nos salários. Segundo o Anuário do Transporte Rodoviário de Cargas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com dados de 2024, a remuneração mediana dos caminhoneiros no Nordeste era de R$ 2.652.
No Sudeste, o valor chegava a R$ 3.277, enquanto no Sul alcançava R$ 3.242. Isso representa uma diferença mensal superior a R$ 590 em relação à remuneração registrada no Nordeste.
São Paulo aparece como um dos principais centros de emprego da categoria. Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024 indicam que o estado concentrava aproximadamente 195,3 mil motoristas de caminhão com vínculo formal, o equivalente a 27,4% do total brasileiro.
A presença de transportadoras, centros de distribuição, indústrias e operações logísticas ajuda a explicar a concentração de empregos nessas regiões.
Para os caminhoneiros que vivem na Bahia, em Pernambuco, no Ceará, no Maranhão e em outros estados nordestinos, trabalhar longe de casa pode representar a possibilidade de conseguir contratos com empresas maiores e acessar diferentes operações de transporte.
Entretanto, a mudança também envolve despesas com moradia, alimentação e deslocamento, além da distância da família durante os períodos de trabalho.
Os dados mais recentes do transporte e da armazenagem mostram que a diferença regional continua. No primeiro semestre de 2026, o Sudeste respondeu por 35.989 novos postos líquidos no setor, enquanto o Nordeste registrou saldo positivo de apenas 646 empregos. Esses números abrangem diversas ocupações da atividade, não somente motoristas.
Embora as estatísticas mostrem maior concentração de oportunidades no Sul e Sudeste, ainda não há dados suficientes nesses levantamentos para medir quantos caminhoneiros nordestinos se mudaram especificamente em busca dessas vagas.
A diferença de remuneração e a concentração regional dos empregos, porém, ajudam a explicar por que trabalhar em transportadoras de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul pode ser uma alternativa considerada por profissionais de outras regiões.
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