Fila por ossos para comer virou retrato da fome no Brasil

A cena de brasileiros esperando horas para receber ossos de boi parece difícil de acreditar, mas virou notícia nacional principalmente em 2021. Em Cuiabá, famílias formavam filas em frente a um açougue para levar para casa os restos que sobravam depois da retirada da carne.
Nos ossos ainda ficavam pequenos pedaços de carne. Para pessoas desempregadas ou com renda muito baixa, aquilo acabava entrando na panela porque comprar carne já estava fora do orçamento.
Na época, o país enfrentava os efeitos econômicos da pandemia, desemprego elevado, perda de renda e forte aumento no preço dos alimentos. Houve casos de pessoas chegando horas antes da distribuição e até percorrendo longas distâncias para conseguir uma sacola.
O problema não ficou restrito a Mato Grosso. No Rio de Janeiro, também foram registradas pessoas esperando a chegada de um caminhão que transportava ossos e pelancas recolhidos em supermercados. Parte desse material era entregue a moradores sem dinheiro suficiente para comprar comida.
A chamada “fila do osso” acabou virando uma das imagens mais conhecidas daquele período de aumento da fome e da pobreza.
Os números atuais, porém, precisam ser colocados em contexto. O Brasil voltou a ficar fora do Mapa da Fome da ONU. Os dados mais recentes da FAO apontam prevalência de subnutrição abaixo de 2,5% da população e insegurança alimentar severa de 0,6% no triênio de 2023 a 2025.
Isso não significa que a fome desapareceu. Ainda existem brasileiros com dificuldade para garantir comida suficiente durante todo o mês, mas usar hoje aquelas imagens de 2021 como se retratassem a situação atual de todo o país seria incorreto.
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