Novo presidente vai assumir o Brasil com dívida de R$ 11 trilhões e juros que passam de R$ 1 trilhão
O presidente que assumir o comando do Brasil em janeiro de 2027 encontrará uma dívida pública que já ultrapassa R$ 11 trilhões. O valor representa uma das maiores preocupações para o próximo governo, que terá de administrar os gastos públicos e o pagamento de juros.
De acordo com os dados divulgados pelo Banco Central em 30 de setembro, a dívida bruta do governo geral chegou a R$ 11,1 trilhões em agosto de 2026, equivalente a 82,9% de tudo o que o país produz em um ano. O indicador inclui dívidas do governo federal, INSS, estados e municípios.
O peso dos juros também chama atenção. Somente nos 12 meses encerrados em agosto, o setor público acumulou R$ 1,18 trilhão em despesas com juros. No mesmo período, as contas públicas registraram déficit de R$ 82,1 bilhões, mesmo sem considerar esses encargos.
Outro dado divulgado pelo Tesouro Nacional mostra que a dívida pública federal chegou a R$ 9,29 trilhões em agosto. A previsão oficial é que esse valor termine 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. Esse indicador é diferente da dívida bruta calculada pelo Banco Central e não deve ser somado a ela.
O próximo presidente também terá de lidar com despesas obrigatórias, como aposentadorias, salários do funcionalismo e benefícios sociais. Com parte do orçamento comprometida, sobra menos espaço para novos investimentos sem aumentar receitas, cortar outras despesas ou ampliar o endividamento.
Os números mostram que o desafio não será apenas controlar os gastos do governo. A dívida continua crescendo com a incorporação dos juros, e o Banco Central registrou um aumento de 4,2 pontos percentuais na relação entre dívida bruta e PIB somente nos oito primeiros meses de 2026.
O valor exato que será encontrado pelo próximo presidente ainda depende dos resultados de setembro a dezembro. Os R$ 11,1 trilhões representam a posição registrada em agosto, último dado oficial disponível nesta apuração.
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