“A gente carrega o Brasil, mas não tem valor”: o desabafo de um caminhoneiro

Parado na BR-135, no Maranhão, junto com vários outros caminhões esperando para descarregar em São Luís, o motorista falou o que muita gente vive, mas pouca gente vê. Caminhão carregado, tempo passando e a viagem travada.
Ele contou que já estava há mais de 20 dias fora de casa, podendo chegar a quase 30 dias longe da família. Filho, esposa, aniversário passando e ele no meio da estrada, tentando cumprir o frete.
Enquanto espera, a vida acontece ali mesmo. Fogão improvisado, comida feita na beira do caminhão e sem estrutura nenhuma. Segundo ele, nem sempre dá pra ter o básico dentro do veículo, porque até isso pode virar problema em fiscalização.
A reclamação vai além do dinheiro. Ele fala de estrada ruim, cheia de buraco, falta de segurança pra parar e descansar e medo constante, tanto rodando quanto parado. Tem lugar que nem encostar o caminhão é tranquilo por risco de roubo.
Outro ponto que pesa é o tempo de espera pra descarregar. Caminhão fica parado horas ou até dias, sem rodar e sem ganhar, enquanto o custo continua.
Mesmo assim, ele deixa claro que gosta da profissão. Já são quase 20 anos na boleia, sendo 10 só de carreta. Mas também admite que não indicaria a vida de caminhoneiro para o próprio filho.
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