Empresas brasileiras aceleram mudança para o Paraguai em busca de menos impostos e custos menores

Mais de 230 empresas brasileiras já transferiram parte da produção para o Paraguai. O movimento vem crescendo por causa da carga tributária menor, energia mais barata e custos trabalhistas reduzidos no país vizinho.
As empresas atuam dentro do chamado regime de maquila, criado pelo governo paraguaio para atrair indústrias voltadas à exportação. Nesse modelo, a carga total de impostos e encargos fica perto de 12%. No Brasil, empresários afirmam que o custo pode ultrapassar 80% dependendo da atividade.
Dados divulgados pelo governo do Paraguai e pela Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai apontam que as empresas brasileiras já representam cerca de 70% das indústrias instaladas no regime de maquila. Juntas, elas geram aproximadamente 25 mil empregos no país vizinho.
Entre as empresas com operações instaladas no Paraguai aparecem nomes conhecidos como JBS, Nike, Adidas, Lupo e M. Dias Branco.
Além dos impostos menores, empresários destacam o custo da energia elétrica, linhas de crédito mais acessíveis e regras trabalhistas menos pesadas. No Paraguai não existe FGTS e a jornada semanal pode chegar a 48 horas.
Boa parte da produção dessas indústrias retorna para o mercado brasileiro. Como o Paraguai faz parte do Mercosul, muitos produtos entram no Brasil sem cobrança de imposto de importação.
O modelo adotado pelo Paraguai vem sendo comparado ao crescimento industrial de países que apostaram em incentivos para atrair fabricantes estrangeiros. Enquanto isso, empresários brasileiros seguem reclamando da alta carga tributária e dos custos para manter operações no Brasil.
