Apenas 2,2% do crédito reservado chegou aos caminhoneiros autônomos no Move Brasil

Os caminhoneiros autônomos continuam encontrando dificuldades para renovar a frota mesmo com a criação do programa Move Brasil 2. Dados divulgados nesta semana mostram que apenas R$ 43,8 milhões dos R$ 2 bilhões reservados para a categoria foram aprovados até agora, o equivalente a apenas 2,2% do total disponível.
Enquanto isso, as transportadoras e empresas do setor conseguiram aprovar cerca de R$ 6,58 bilhões em financiamentos nos primeiros dias do programa. A diferença chama atenção porque a reserva exclusiva para autônomos foi criada justamente para facilitar o acesso desse público ao crédito.
Segundo representantes da categoria, um dos principais obstáculos continua sendo a análise feita pelos bancos. Mesmo com recursos reservados, os caminhoneiros precisam comprovar renda, capacidade de pagamento e atender às exigências das instituições financeiras. Muitos profissionais relatam dificuldades para conseguir aprovação.
Outro ponto que gerou reclamações foi a cobrança do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI). Entidades afirmam que parte dos caminhoneiros foi surpreendida com os custos adicionais da operação, o que acaba aumentando o valor das parcelas.
O problema preocupa ainda mais porque os caminhoneiros autônomos possuem a frota mais antiga do país. Dados do setor apontam que a idade média dos caminhões dos transportadores autônomos chega a 24,4 anos, enquanto nas empresas transportadoras a média é de 9,8 anos.
O governo ampliou recentemente o Move Brasil para R$ 21,2 bilhões e passou a permitir também o financiamento de caminhões seminovos fabricados a partir de 2012, além de aumentar os prazos de pagamento e carência para os autônomos. A expectativa era facilitar o acesso ao programa e acelerar a renovação da frota nacional.
Mesmo assim, mais de R$ 1,95 bilhão da verba reservada aos caminhoneiros autônomos segue sem utilização, mostrando que o desafio não está apenas na oferta de recursos, mas principalmente na aprovação do crédito para quem vive da estrada.
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