Agronegócio

Taxa chinesa de 55% acende alerta na carne brasileira e pode mudar o preço no açougue

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Taxa chinesa de 55% acende alerta na carne brasileira e pode mudar o preço no açougue

A carne bovina brasileira entrou em uma fase de ajuste depois que a China passou a aplicar uma tarifa de 55% sobre os volumes que ultrapassarem a cota anual de importação. A medida começou em janeiro de 2026 e vale por três anos, atingindo grandes fornecedores mundiais, como Brasil, Austrália, Argentina, Uruguai, Nova Zelândia e Estados Unidos.

O ponto central está na cota. Para o Brasil, o limite de 2026 ficou próximo de 1,106 milhão de toneladas. O número é menor do que o volume enviado ao mercado chinês no ano anterior, quando os embarques brasileiros passaram de 1,6 milhão de toneladas de carne bovina fresca. Como a China é o principal destino da carne brasileira, qualquer freio nas compras muda rapidamente o humor dos frigoríficos, dos pecuaristas e do mercado da arroba.

A pressão ficou mais clara em junho. A Austrália já havia preenchido sua cota anual, enquanto o Brasil estava perto do limite. Com isso, parte dos compradores chineses começou a olhar com mais cautela para novos contratos, já que a carne fora da cota fica muito mais cara ao entrar no país asiático.

No campo, esse movimento aparece na compra de gado para abate. O Cepea apontou recuo nos preços da arroba com a proximidade do cumprimento da cota chinesa. Até maio, o Brasil já havia usado cerca de 65% do limite autorizado, e a expectativa do mercado era de preenchimento total até julho, considerando também o tempo de viagem da carne até os portos chineses.

Para o consumidor brasileiro, o efeito mais provável no curto prazo é de alívio ou estabilidade. Se uma parte da carne que iria para exportação fica disponível no mercado interno, a oferta doméstica melhora e o preço no açougue tende a ter menos força para subir.

Isso não garante queda imediata na prateleira. A carne que chega ao consumidor depende também do custo do boi, do transporte, do dólar, da margem dos frigoríficos, da distribuição e da força da demanda interna. Além disso, a Conab projeta queda de até 5,3% na produção brasileira de carne bovina em 2026, o que limita uma baixa mais forte.

O cenário deixa o setor em compasso de reorganização. A exportação perde ritmo para a China, os frigoríficos recalculam compras e o mercado brasileiro pode sentir preços mais comportados, principalmente se o consumo interno não crescer na mesma velocidade da oferta disponível.

Sobre o autor

Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.

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