Caminhoneira Aline revela o perrengue que viveu por causa da esposa de um caminhoneiro

Aline, uma caminhoneira que passa mais tempo na boleia do que em casa, resolveu contar um perrengue que viveu há dois meses atrás. Não foi fácil, mas ela conseguiu escapar de uma situação complicada graças a um espirro e a um cachorro esperto.
Tudo começou em Rondonópolis, onde Aline encontrou um colega de profissão, um cara careca que já havia transportado carga com ela antes. O problema é que o frete disponível era em uma fazenda acessível apenas por uma estrada de chão tão ruim que parecia o esqueleto de um boi inteiro. “Só isso aí mesmo?”, ela pensou, mas não tinha escolha. Precisava pagar as contas.
O tal careca, que já havia avisado que não podia ser filmado, foi na frente levantando poeira enquanto Aline vinha atrás, tentando não perder o painel do caminhão. Em um buraco, ela quase desistiu: “Parecia que o painel ia desmontar no meu colo”. Ele só respondeu: “Aguenta firme que o Pix vai ser alto”.
Chegando na fazenda, a situação ficou ainda mais tensa. A única comida disponível era ovo, e o careca ofereceu um prato de carne de porco. Enquanto comiam, a mulher dele ligou várias vezes, com o toque “Amor ligando”. Ele pediu para Aline não se mexer, pois a ligação era em vídeo. “Se ela ver o barulho do prato, ela vai saber que tem alguém aqui”, pensou Aline.
Ela tentou segurar o máximo possível, mas um espirro saiu tão forte que até ela mesma se surpreendeu. Do outro lado da linha, a mulher do careca gritou: “Quem tá aí com você, seu desgraçado?”. Aline, sem opção, pegou o prato e se escondeu debaixo da mesa do caminhão. Para não levantar suspeitas, jogou um pedaço de carne para o cachorro da fazenda. Quando o careca atendeu, disse que tinha sido o cachorro que fez barulho. A mulher acreditou, e Aline conseguiu escapar ilesa.
O preconceito que não sai da estrada
Aline não é a única mulher na profissão, mas são poucas. “Tem uma mulher em um milhão”, ela conta. O preconceito não para na estrada: em um bar, um colega a chamou para tomar uma cerveja, mas cinco homens estavam na mesa. Quando ela postou um story, a mulher de um deles enviou uma mensagem no direct acusando-a de coisa pior. “Eu não tenho a mesma liberdade que um caminhoneiro normal”, desabafa.
Ela não pode filmar situações como a que viveu com o careca ciumento, pois isso poderia gerar problemas maiores. “Se eu filmar, a mulher dele pode botar fogo na casa”, diz. Por isso, prefere contar as histórias depois, quando o perigo já passou. Hoje, Aline está em Centralina, Goiás, esperando uma nova carga. “Tô cansada, quero ir embora”, desabafa. Enquanto isso, ela segue enfrentando os desafios da profissão, um frete de cada vez.