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Salário baixo faz motoristas repensarem a profissão e acende alerta no setor

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Salário baixo faz motoristas repensarem a profissão e acende alerta no setor

A falta de motoristas profissionais deixou de ser apenas conversa de bastidor e já aparece em levantamentos recentes do setor. Empresas de carga, ônibus urbano e fretamento relatam mais dificuldade para contratar, enquanto parte dos profissionais passou a enxergar a carreira como pouco atraente diante do salário, da jornada e da responsabilidade diária.

No caso dos caminhoneiros, a pressão é ainda mais visível. Dados divulgados pela ABTLP apontam que o número de condutores habilitados nas categorias C e E caiu de cerca de 5,6 milhões em 2015 para 4,4 milhões em 2025. A mesma análise cita pesquisa em que 54% dos caminhoneiros afirmam ter intenção de deixar a estrada. O dado mostra que a saída da profissão não é apenas impressão de quem trabalha no setor.

O salário ajuda a explicar esse movimento. Informações salariais com base no CAGED indicam que motoristas de caminhão no regime CLT recebem, em média, cerca de R$ 2,6 mil brutos por mês. Para motoristas de ônibus, a média fica próxima de R$ 2,8 mil. O valor pesa quando comparado ao nível de cobrança, aos horários irregulares, ao trânsito pesado, ao risco de acidentes e ao tempo longe da família.

O reflexo já aparece nas empresas. Levantamento citado pela Fetrabens mostra que 88% das transportadoras relataram dificuldade para contratar motoristas e agregados. Entre as companhias com veículos parados, a média chegou a oito caminhões ociosos por empresa. Isso significa menos capacidade de entrega, mais disputa por profissionais experientes e pressão maior sobre quem continua trabalhando.

Nos ônibus, o quadro também é apertado. Estimativas citadas pelo Diário do Transporte apontam escassez de motoristas em 53,4% das viações urbanas e metropolitanas. Algumas empresas passaram a investir em formação interna para tentar renovar a mão de obra, já que a entrada de novos profissionais não acompanha a necessidade do mercado.

A afirmação de que motoristas estão largando a profissão por baixos salários é verdadeira, mas incompleta. O salário é uma parte importante do problema, porém a decisão envolve também desgaste físico, saúde, segurança, escala de trabalho e falta de perspectiva. O resultado é uma profissão essencial, mas cada vez menos desejada por quem busca estabilidade e qualidade de vida.

Sobre o autor

Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.

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