TJ de Goiás anula condenação de caminhoneiro por acidente que matou quatro policiais do COD

A Justiça de Goiás anulou a condenação do caminhoneiro Jhonatan Murilo Leite, sentenciado a 52 anos de prisão pelo acidente que provocou a morte de quatro policiais do Comando de Operações de Divisas (COD), na BR-364, em Cachoeira Alta. A decisão foi tomada pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), que determinou a realização de um novo julgamento pelo Tribunal do Júri.
O julgamento havia ocorrido em abril deste ano. Na decisão que anulou a condenação, o magistrado apontou que a presença de um grande número de policiais militares fardados no plenário teve potencial para influenciar os jurados. Para o tribunal, a farda representa a autoridade do Estado e, em um processo envolvendo vítimas da própria corporação, poderia gerar impacto psicológico durante o julgamento.
A decisão destaca que os policiais não foram impedidos de acompanhar a sessão, mas afirma que o juiz responsável deveria ter adotado medidas para preservar a imparcialidade do ambiente, como limitar o número de agentes fardados, reservar espaços específicos para familiares ou orientar que os militares comparecessem sem uniforme.
Este é o segundo julgamento anulado no mesmo processo. Em dezembro de 2025, a primeira sessão do Tribunal do Júri foi cancelada após o juiz constatar que uma jurada estava sorteando suas cédulas de votação, procedimento proibido pela legislação penal.

O acidente aconteceu em abril de 2024. Conforme a perícia, o caminhão conduzido por Jhonatan trafegava entre 110 km/h e 120 km/h, acima do limite de 80 km/h permitido para o trecho, além de transportar aproximadamente 69 toneladas de milho, cerca de nove toneladas acima do peso considerado permitido para aquela via. A investigação também concluiu que a viatura tentou desviar para o acostamento, mas não conseguiu evitar a colisão.
Os quatro policiais morreram no local. O caminhoneiro sofreu ferimentos leves.
Com a anulação da condenação, o processo retorna à fase de julgamento pelo Tribunal do Júri. Ainda não foi divulgada a data da nova sessão, que deverá analisar novamente todas as provas e ouvir as partes antes de um novo veredito.
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