Caminhoneiro mora no Scania há 18 anos e enfrenta uma decisão de R$ 250 mil

A boleia de um Scania virou endereço fixo para Valcir Baggio, conhecido como Vaideque. O caminhoneiro mora dentro do próprio veículo desde 2008 e diz que não pensa em trocar a cabine por uma casa. Natural de São Lourenço do Oeste, em Santa Catarina, ele vive atualmente em Marmeleiro, no sudoeste do Paraná. Ele começou a trabalhar na estrada aos 17 anos e transformou o caminhão em moradia depois de muitos anos de profissão.
Quando não está fazendo fretes, Vaideque estaciona o caminhão no sítio de um amigo. É ali que consegue tomar banho, preparar comida e resolver as tarefas básicas do dia. O restante da vida cabe na cabine, espaço que ele adaptou para dormir e guardar seus pertences.
A decisão também reduz os gastos. Sem aluguel, móveis e manutenção de uma residência, o motorista afirma que consegue levar a vida do jeito que escolheu. O costume ficou tão forte que nem muda quando visita parentes em Florianópolis. Mesmo com um quarto disponível na casa da mãe, ele prefere passar a noite no caminhão.
A história parece curiosa, mas também mostra como trabalho e vida pessoal acabam misturados na rotina de quem passa boa parte do mês na estrada. Para muitos profissionais, o veículo não serve apenas para transportar carga. Ele vira quarto, cozinha improvisada, local de descanso e ponto de apoio entre uma entrega e outra.
Uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos em dezembro de 2025 apontou média de 14 horas de trabalho por dia e 16 dias por mês longe da família. O levantamento registrou renda líquida média próxima de R$ 14 mil, mas calculou retorno de cerca de R$ 40 por hora, considerado baixo pela entidade diante dos custos do caminhão, combustível, manutenção, pneus, alimentação e riscos da atividade.
Vaideque agora enfrenta uma dificuldade que mexe diretamente com sua moradia. O Scania usado por ele perdeu espaço no mercado, que passou a exigir veículos mais novos e maiores em parte dos fretes. Com menos oportunidades, o caminhoneiro estuda financiar cerca de R$ 250 mil para trocar de caminhão.
A compra resolveria o problema do veículo antigo, mas criaria uma dívida alta. Para quem fez da cabine a própria casa e organizou a vida para cortar despesas, assumir parcelas por vários anos virou uma decisão pesada. Enquanto avalia as contas, Vaideque continua vivendo no mesmo lugar onde trabalha, descansa e espera pela próxima carga.
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