Caminhão elétrico faz rota entre Cajamar e Taubaté em teste de seis meses

Amazon, DHL Supply Chain e Scania colocaram um caminhão extrapesado totalmente elétrico para trabalhar em uma rota usada no transporte de cargas entre Cajamar e Taubaté, no estado de São Paulo.
O projeto começou em outubro de 2025 e tinha duração prevista de seis meses. A operação usou o Scania 30G 4×2, primeiro cavalo mecânico 100% elétrico da fabricante colocado nesse tipo de teste no Brasil.
O caminhão saía do centro de triagem CGH7 da Amazon, em Cajamar, com destino à base da transportadora To Do Green. As cargas eram gerenciadas pela DHL Supply Chain.
Durante as viagens, sistemas de telemetria acompanhavam o consumo de energia, a eficiência, o trajeto e o desempenho do veículo. A intenção era descobrir se um caminhão elétrico pesado conseguiria manter uma operação regular fora das entregas urbanas.
Autonomia de até 250 quilômetros
O Scania 30G possui autonomia aproximada de 250 quilômetros e motor elétrico com potência de 300 kW. Sua capacidade técnica de combinação chega a 66 toneladas.
O modelo também conta com:
- Dois conjuntos de baterias, totalizando 416 kWh;
- Torque de 1.150 Nm;
- Potência de regeneração de 330 kW;
- Conector CCS2;
- Recarga com potência de até 375 kW.
Segundo a Scania, em uma estrutura adequada, a bateria pode receber carga completa em aproximadamente 50 minutos. O tempo real depende da potência disponível no carregador e das condições da bateria.
Teste passa pela Rodovia Presidente Dutra
Parte do percurso acontece na Rodovia Presidente Dutra, uma das ligações mais movimentadas entre São Paulo e Rio de Janeiro.
A operação foi incluída na Aliança Laneshift e-Dutra, apresentada durante a COP30, em novembro de 2025. O projeto pretende desenvolver um corredor para caminhões elétricos, com pontos de recarga ao longo da rodovia.
A iniciativa reúne empresas de logística, fabricantes, operadores de recarga e organizações como C40 Cities e The Climate Pledge. A meta divulgada é criar condições para mais de mil caminhões elétricos circularem diariamente no corredor Rio–São Paulo até 2030.
Recarga ainda é o maior obstáculo
A autonomia permite trabalhar em rotas planejadas, nas quais o caminhão sai de uma base e encontra carregador no ponto de retorno. Fora desses corredores, a falta de eletropostos preparados para veículos pesados ainda limita a operação.
Também será necessário comparar o preço de compra, o tempo parado para carregar, o peso das baterias, a capacidade de carga e o gasto com energia. Esses números vão mostrar em quais rotas o elétrico consegue competir com caminhões a diesel, gás ou biometano.
A própria Scania avalia que, neste primeiro momento, o modelo elétrico atende melhor operações urbanas e regionais de até 250 quilômetros, principalmente em viagens entre centros logísticos. Para percursos acima de 600 quilômetros, a fabricante ainda aponta diesel, biodiesel e gás natural liquefeito entre as alternativas disponíveis.
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