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Caminhoneiro

Salário baixo e rotina pesada afastam novos caminhoneiros das estradas

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Salário baixo e rotina pesada afastam novos caminhoneiros das estradas
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O salário pago a muitos motoristas de caminhão virou um dos pontos que mais pesam na hora de atrair gente nova para a profissão. A responsabilidade é grande, a rotina cobra caro e, em várias vagas, o valor oferecido não acompanha o tempo longe de casa, o risco nas estradas e a pressão para entregar no prazo.

A remuneração muda bastante conforme o estado, o tipo de carga e o tamanho do veículo. Acordos coletivos registrados no sistema Mediador, do Ministério do Trabalho, mostram pisos próximos de R$ 2,7 mil para motorista de carreta e abaixo de R$ 3 mil para bitrem em alguns contratos. Em outro acordo de 2025, os valores chegavam a R$ 3.193 para carreta e R$ 3.512 para bitrem. São exemplos regionais, não uma média nacional, mas ajudam a mostrar por que o pagamento é visto como baixo diante das exigências do serviço.

Para entrar nessa área, o profissional precisa de habilitação adequada, cursos, experiência e disposição para passar dias rodando. Também lida com alimentação fora de casa, sono irregular, espera para carregar e descarregar, risco de roubo e pouco tempo com a família. Quando o salário base fica perto do que outras funções pagam dentro da cidade, ocami volante perde força entre os mais jovens.

A falta de renovação já aparece nos números. Pesquisa apresentada na Câmara dos Deputados apontou idade média de 46 anos entre caminhoneiros autônomos, com 17 anos de profissão. O levantamento também mostrou que 54% pensavam em deixar a atividade. Na mesma audiência, a ANTT alertou que o crescimento do transporte de cargas não vem sendo acompanhado pelo aumento de profissionais.

O problema também chegou às transportadoras. Dados divulgados pela CNT em 2026 indicaram que 65,1% das empresas consultadas enfrentavam falta de motoristas. O setor abre vagas, mas encontra dificuldade para preencher postos que exigem experiência, disponibilidade para viagens e rotina pesada.

O salário não é o único motivo. Estradas ruins, pontos de descanso insuficientes, insegurança e jornadas cansativas também afastam candidatos. Só que o pagamento costuma ser a primeira conta feita por quem pensa em tirar habilitação profissional e começar do zero.

Sem uma remuneração que faça sentido para o tamanho da cobrança, caminhões podem ficar parados mesmo com frete disponível. Para quem está escolhendo uma profissão, passar a semana longe de casa por um salário apertado já não parece um bom negócio.

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    Sobre o autor

    Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.