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Caminhoneiro

A conta não fecha e caminhoneiros rodam até o caminhão pedir socorro

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A conta não fecha e caminhoneiros rodam até o caminhão pedir socorro
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Para quem vive do próprio caminhão, uma ida à oficina pesa duas vezes no bolso. Primeiro vem o gasto com peça, óleo, pneu e mão de obra. Depois aparece a perda do frete enquanto o veículo fica parado. É por isso que até uma manutenção simples acaba sendo empurrada por alguns dias, às vezes por semanas.

Dados divulgados pela Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos mostram que o Brasil tem cerca de 620 mil transportadores autônomos com registro ativo. Desse total, 85% trabalham com apenas um veículo de tração. Quando esse caminhão quebra, não existe outro na garagem para manter a renda entrando.

A idade dos veículos também ajuda a explicar o problema. Em 2025, os caminhões usados pelos autônomos tinham média de 19,8 anos. Mais da metade dos documentos de transporte foi emitida para veículos com mais de 16 anos. Caminhão velho pode rodar bem, mas costuma pedir atenção com mangueiras, correias, suspensão, freios, parte elétrica, pneus e vazamentos.

O aperto aumenta porque a rotina quase não deixa espaço para revisão. Uma pesquisa da CNTA com 2.002 caminhoneiros apontou média de 14 horas de trabalho por dia e 16 dias por mês longe de casa. Quase metade dos entrevistados afirmou esperar mais de cinco horas para carregar ou descarregar. Nesse tempo, o caminhão está parado, mas o motorista nem sempre consegue usar o período para fazer manutenção.

Buracos, ondulações e trechos mal conservados também cobram a conta. Pneus, rodas, molas, amortecedores e direção sofrem mais, principalmente em veículos que já acumulam muitos anos de uso.

Quando o dinheiro entra, ele já chega disputado. Diesel, pedágio, alimentação, parcelas, documentos e despesas da família vêm primeiro. Trocar uma peça antes de ela quebrar parece gasto que pode esperar. Um rolamento barato, uma mangueira ressecada ou um pneu gasto, porém, pode virar um reparo bem mais caro no meio da estrada.

A falta de local adequado também atrapalha. A pesquisa apontou que 96% descansam em postos de combustível e 78% têm dificuldade para encontrar pontos de parada apropriados. Nem todo posto oferece oficina, iluminação boa, espaço plano ou segurança para uma checagem mais cuidadosa.

O SEST SENAT mantém um curso gratuito e online de manutenção preventiva, com conteúdos sobre motor, arrefecimento, bateria, eixos, suspensão e transmissão. O treinamento ajuda o motorista a perceber sinais de defeito antes da quebra, sem incentivar reparos perigosos que precisam ser feitos por mecânicos preparados.

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    Sobre o autor

    Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.