Gerdau demitiu cerca de 1.500 trabalhadores em Pernambuco.

A Gerdau informou que demitiu cerca de 1.500 trabalhadores no Brasil entre janeiro e julho de 2025. Os cortes foram atribuídos à perda de competitividade da indústria nacional diante do aumento das importações de aço e de produtos acabados fabricados com material estrangeiro.
A informação foi apresentada pelo presidente da companhia, Gustavo Werneck, durante uma conversa com jornalistas e analistas em 1º de agosto de 2025. Segundo o executivo, as demissões atingiram principalmente as operações de Pindamonhangaba e Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo.
Apesar de ser tratada como demissão em massa, não houve o desligamento simultâneo de 1.500 pessoas em uma única fábrica. O número divulgado pela empresa representa cortes acumulados em diferentes unidades durante sete meses.
Sindicato contesta número divulgado
O Sindicato dos Metalúrgicos de Pindamonhangaba questionou a quantidade informada pela direção da Gerdau. A entidade afirmou que as homologações acompanhadas localmente estavam próximas de cem e que a empresa não detalhou quantos empregados foram dispensados em cada unidade.
O sindicato também consultou dados do Caged. Nos segmentos de siderurgia, fundição e forjaria de Pindamonhangaba, o saldo entre admissões e desligamentos caiu de 3.152 para 3.122 postos entre janeiro e junho de 2025.
Isso representa uma redução líquida de 30 vagas nesses segmentos, mas o dado não permite confirmar ou negar sozinho o total nacional anunciado pela Gerdau. O saldo do Caged desconta novas contratações e não identifica publicamente cada desligamento da empresa.
Gerdau apontou pressão do aço estrangeiro
Na ocasião, a empresa afirmou que as medidas brasileiras de proteção comercial eram insuficientes para conter a entrada de aço estrangeiro, principalmente da China.
A companhia também decidiu reduzir parte dos investimentos planejados para o Brasil a partir de 2026. O orçamento global de 2025 previa R$ 6 bilhões, dos quais cerca de R$ 4 bilhões estavam destinados às operações brasileiras.
No segundo trimestre de 2025, a Gerdau registrou receita líquida de R$ 17,5 bilhões, lucro líquido ajustado de R$ 864 milhões e Ebitda ajustado de R$ 2,6 bilhões. A própria empresa afirmou que os resultados brasileiros estavam sendo prejudicados pelo excesso de aço importado.
Ter lucro não impede uma empresa de reduzir áreas que estão produzindo menos ou apresentando retorno abaixo do esperado. A Gerdau possui operações em diversos países, e o desempenho mais forte da América do Norte ajudou a compensar a pressão enfrentada no Brasil.
Situação continuou em 2026
Em março de 2026, trabalhadores de Pindamonhangaba foram informados sobre o encerramento do setor de forjados. O sindicato iniciou uma nova mobilização para tentar preservar empregos e negociar transferências para outras áreas. Parte da operação de fundidos já havia sido encerrada anteriormente.
A empresa, porém, não anunciou uma nova demissão nacional de 1.500 pessoas em 2026. Em fevereiro, o presidente da Gerdau afirmou que não previa fechar outras plantas brasileiras naquele ano e demonstrou expectativa de redução gradual das importações.
No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou Ebitda ajustado de R$ 3 bilhões e lucro líquido ajustado de R$ 1 bilhão. O comunicado voltou a mencionar que o mercado brasileiro permanecia pressionado pela entrada excessiva de aço importado.
Gerdau não está deixando o Brasil
Publicações nas redes sociais afirmaram que a siderúrgica encerraria todas as atividades brasileiras e demitiria entre 35 mil e 37 mil trabalhadores. Essa informação é falsa.
A companhia negou a saída do país e afirmou que continua mantendo operações e investimentos no Brasil. A própria quantidade divulgada nas mensagens era incompatível com o quadro global da empresa, que possui aproximadamente 30 mil trabalhadores em vários países.
A informação confirmada é que a Gerdau declarou ter desligado 1.500 trabalhadores ao longo de 2025, com concentração dos cortes em algumas unidades paulistas. O total foi contestado pelo sindicato, e não existe anúncio oficial de encerramento completo das atividades brasileiras.
Para o transporte rodoviário, uma redução na produção de aço pode diminuir a movimentação de matéria-prima e produtos siderúrgicos em determinadas rotas. Até agora, porém, não há informação pública de uma demissão específica de caminhoneiros ou de cancelamento nacional dos contratos de transporte da Gerdau.
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