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China entrega encomendas em poucos dias e Correios enfrentam críticas por atrasos no Brasil

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Uma situação tem chamado a atenção de consumidores brasileiros: encomendas que saem da China conseguem chegar ao Brasil em poucos dias, enquanto objetos enviados dentro do próprio país podem permanecer vários dias em centros de distribuição antes de chegar ao destinatário. A comparação, porém, precisa ser feita com cuidado, porque uma encomenda internacional pode envolver diferentes empresas e modalidades de transporte antes de chegar ao Brasil. Ainda assim, os próprios números dos Correios mostram que existe um problema de desempenho que merece ser discutido.

Nos indicadores oficiais de 2026, os Correios estabeleceram como referência entregar 88,57% das encomendas não urgentes em até nove dias úteis. Em janeiro, porém, o índice foi de apenas 67,66%. Em fevereiro subiu para 88,29%, chegando a 93,09% em março, 93,91% em abril, 95,15% em maio e 93,84% em junho.

O cenário também ficou abaixo da própria meta em 2025. Naquele ano, 90,51% das encomendas não urgentes foram entregues dentro do prazo, enquanto a meta estabelecida pelos Correios era de 95%. O desempenho ainda apresentou uma forte queda em alguns meses: em maio, por exemplo, o índice ficou em 80,02%, e em junho chegou a 79,10%.

O problema aparece principalmente quando a encomenda entra no fluxo nacional

É justamente nessa etapa que muitos consumidores percebem a diferença. Uma encomenda pode chegar rapidamente a um centro de tratamento no Brasil e depois passar vários dias aguardando movimentação, transferência ou encaminhamento para outra unidade.

Relatos de consumidores publicados em comunidades online mostram situações de encomendas que permaneceram vários dias sem atualização ou que chegaram rapidamente ao Brasil, mas demoraram mais tempo para concluir o trecho nacional. Esses relatos não representam uma estatística oficial, mas ajudam a mostrar a percepção de parte dos usuários.

Também é importante separar duas situações. Quando uma compra vem da China, o transporte internacional pode ser feito por empresas privadas de logística, companhias aéreas e operadores especializados. Depois que a encomenda chega ao Brasil, ainda existe o processo de fiscalização aduaneira e, dependendo da modalidade, a entrega pode ser realizada por diferentes operadores. Portanto, dizer simplesmente que “a China entrega em três dias e os Correios levam 20” não representa todas as operações.

Mas existe uma pergunta legítima por trás dessa comparação: por que uma encomenda que percorreu milhares de quilômetros pode avançar rapidamente enquanto outra, enviada entre duas cidades brasileiras, fica vários dias dentro da própria rede de distribuição?

A própria empresa enfrenta uma situação financeira complicada

Os problemas operacionais acontecem ao mesmo tempo em que os Correios enfrentam dificuldades financeiras. Nos dados oficiais referentes ao primeiro semestre de 2025, a empresa registrou resultado líquido negativo de aproximadamente R$ 4,37 bilhões, contra cerca de R$ 1,35 bilhão negativos no mesmo período de 2024.

O Conselho Fiscal dos Correios também registrou naquele período queda de receita e aumento de despesas, apontando o agravamento do prejuízo.

No relatório referente a 2025, a empresa informou que o resultado daquele exercício foi apropriado ao saldo de prejuízos acumulados e que não houve lucro líquido para distribuição.

Essa situação ajuda a entender que o problema não está apenas na velocidade de uma encomenda. Existe uma questão maior envolvendo custos, estrutura, logística, investimentos e capacidade de manter uma rede nacional funcionando com regularidade.

E o consumidor fica no meio da situação

Para quem compra pela internet, o que importa é simples: o prazo prometido precisa ser cumprido.

Quem vende pela internet também sofre quando uma encomenda demora. Um atraso pode significar cliente esperando, reclamação, devolução, perda de venda e até prejuízo para pequenos comerciantes que dependem das entregas para manter o negócio funcionando. Durante a greve dos Correios no fim de 2025, por exemplo, foram registrados relatos de encomendas paradas em centros de distribuição e prejuízos para empreendedores.

A paralisação terminou no fim de dezembro de 2025, e os Correios informaram em janeiro de 2026 que todas as atividades operacionais haviam sido restabelecidas. A empresa também afirmou que estava trabalhando para normalizar os fluxos de entrega.

Mesmo depois disso, os indicadores mostram que o desempenho ainda oscilou bastante no início de 2026. Em janeiro, menos de 70% das encomendas não urgentes ficaram dentro do prazo estabelecido para aquele indicador.

O Brasil precisa de uma logística mais rápida

O comércio eletrônico mudou a expectativa do consumidor. Hoje, as pessoas acompanham uma encomenda praticamente em tempo real e conseguem comprar produtos de empresas localizadas a milhares de quilômetros de distância.

Nesse cenário, uma espera de muitos dias em uma etapa simples da distribuição acaba ficando cada vez mais difícil de justificar para quem está pagando pelo serviço.

Os Correios continuam tendo uma função importante no país, principalmente por atender regiões onde empresas privadas nem sempre possuem a mesma presença. A própria empresa destaca a obrigação de manter a universalização dos serviços postais em todo o território nacional.

A discussão, portanto, não deveria ser apenas sobre estatal ou empresa privada. O ponto principal é outro: o consumidor brasileiro precisa receber aquilo que pagou dentro do prazo informado.

E quando os números oficiais mostram que a própria empresa ficou abaixo da meta de entrega em 2025 e apresentou forte oscilação em 2026, existe espaço para cobrar melhorias, investimentos e uma logística capaz de acompanhar a velocidade que o comércio eletrônico já exige.

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    Sobre o autor

    Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.