Minas faz 2,3 milhões de viagens, mas faltam novos caminhoneiros

Minas Gerais ocupa o segundo lugar entre os estados brasileiros com mais viagens de transporte de cargas, mas as empresas encontram dificuldade para colocar novos motoristas atrás do volante. O problema não é a falta de caminhões. O maior desafio está em renovar uma categoria que perdeu espaço entre os trabalhadores mais jovens.
Dados do Anuário do Transporte Rodoviário de Cargas 2025, publicado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), mostram que Minas registrou 2.349.462 viagens com origem no estado durante o ano. O volume correspondeu a cerca de 11% das operações analisadas. Apenas São Paulo ficou à frente, com aproximadamente 5,94 milhões.
O estado também possui uma das maiores bases de motoristas de caminhão do país. Em 2024, Minas tinha 82.362 profissionais com vínculo formal, ficando novamente atrás somente de São Paulo, que somava 195.319. A remuneração mediana dos caminhoneiros mineiros era de R$ 2.960 naquele período.
Ter uma base grande de trabalhadores, porém, não resolveu a dificuldade de contratação. O Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg) relata que a carreira deixou de atrair parte dos profissionais disponíveis. A entidade evita tratar o problema apenas como falta de mão de obra e cobra uma discussão sobre os motivos que afastam novos condutores.
Entre as queixas aparecem o risco de assaltos nas rodovias, viagens demoradas, dias longe de casa e uma rotina pesada. O salário pesa na escolha, mas não é o único ponto. Segurança, respeito dentro das empresas, horários menos desgastantes e possibilidade de crescimento também entram na conta de quem pensa em seguir na profissão.
Outro sinal aparece dentro das próprias famílias. De acordo com o Setcemg, caminhoneiros mais antigos nem sempre incentivam os filhos a seguir o mesmo caminho. Isso dificulta a troca de geração e deixa as transportadoras disputando profissionais que já possuem experiência e habilitação nas categorias exigidas.
Para tentar ampliar o número de condutores, programas de formação vêm pagando a mudança da Carteira Nacional de Habilitação para as categorias C, D ou E. O Mais Motoristas, do SEST SENAT, também oferece treinamento para quem pretende entrar no transporte profissional.
Nas fontes públicas consultadas, não há um levantamento que informe quantos caminhões estão parados em Minas exclusivamente por falta de motorista. Os dados disponíveis mostram outro retrato: o segundo maior polo de viagens de carga do Brasil tem grande número de profissionais, mas enfrenta dificuldade para atrair novos nomes e manter a renovação da categoria.
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