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Caminhoneiro

Sem experiência na carreta, novos caminhoneiros acabam buscando outros trabalhos

3 minutos de leitura
Qual a causa do déficit de caminhoneiros no mercado?
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O Brasil vive uma situação que parece contraditória nas estradas. Faltam caminhoneiros para algumas operações, mas quem acabou de conquistar a habilitação para dirigir veículos pesados ainda pode encontrar dificuldade para conseguir a primeira oportunidade.

Uma pesquisa internacional divulgada pela IRU, organização mundial do transporte rodoviário, colocou a taxa de escassez de motoristas de caminhão no Brasil em 11%. Mais da metade das empresas brasileiras ouvidas relatou dificuldades graves ou muito graves para contratar profissionais. Em algumas operações, segundo a entidade, existem caminhões e cargas disponíveis, mas faltam motoristas qualificados para assumir o volante.

Para o motorista novo, porém, possuir CNH C, D ou E nem sempre encerra a busca pelo emprego. Anúncios de vagas disponíveis atualmente mostram empresas pedindo experiência anterior com carreta, inclusive requisitos mínimos de seis meses em algumas seleções. Ao mesmo tempo, existem empresas que já começaram a abrir vagas e programas específicos para candidatos sem experiência, mostrando que o mercado não segue um único padrão.

É justamente nesse intervalo entre “ter habilitação” e “ter experiência comprovada” que parte dos candidatos encontra o maior obstáculo. Para ganhar renda enquanto a oportunidade na carreta não aparece, alguns acabam permanecendo em outras atividades ou procurando funções de entrada dentro e fora da logística.

O problema cria um círculo difícil de quebrar: a transportadora procura alguém que já tenha experiência, enquanto o motorista precisa ser contratado justamente para conseguir essa experiência. Essa dificuldade de entrada não é nova. Relatos do setor já apontavam há anos que conseguir o primeiro emprego é uma das maiores barreiras enfrentadas por quem pretende começar na profissão.

A falta de renovação também preocupa o transporte brasileiro. Material da Confederação Nacional do Transporte já apontava idade média próxima de 55 anos entre os motoristas profissionais e dificuldade para atrair trabalhadores mais jovens para a atividade.

Os números mais recentes reforçam o tamanho do problema. A IRU afirma que a falta de motoristas no Brasil deixou de ser apenas uma dificuldade localizada e passou a representar uma questão estrutural para o transporte. Entre os motivos aparecem barreiras de entrada e caminhos de formação profissional ainda insuficientes para colocar novos condutores rapidamente no mercado.

Algumas transportadoras tentam fechar essa porta de entrada com treinamento prático e contratação de motoristas iniciantes. Há processos seletivos atuais voltados a profissionais sem experiência formal, justamente para formar novos carreteiros dentro da própria operação.

Para quem sonha em viver da estrada, o desafio acaba sendo conseguir aquele primeiro caminhão para colocar no currículo. Depois de meses ou anos ouvindo que precisa de experiência para dirigir, parte desses profissionais pode simplesmente seguir outro caminho. E isso acontece justamente quando o setor diz que precisa encontrar uma nova geração para ocupar as cabines que estão ficando vazias.

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    Sobre o autor

    Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.