Pular para o conteudo
Caminhoneiro

Caminhoneiro brasileiro completa 32 dias parado na Argentina por causa da neve

4 minutos de leitura
caminhão-na-neve
Publicidade

Uma viagem internacional que deveria terminar com a entrega de uma carga no Chile virou mais de um mês de espera dentro do caminhão para o brasileiro Eduardo Ferlin, de 50 anos.

O caminhoneiro, morador de Marau, no Rio Grande do Sul, completou 32 dias parado em Uspallata, na Argentina, depois que as fortes nevascas nos Andes provocaram o fechamento do principal corredor rodoviário entre Argentina e Chile.

Eduardo está transportando carne suína de Lajeado, no Rio Grande do Sul, para Santiago, no Chile. Durante todo o período parado, precisa manter o equipamento de refrigeração do caminhão funcionando para conservar a carga a cerca de -25°C.

E ele está longe de ser o único.

Segundo o relato do caminhoneiro, cerca de 500 motoristas de diferentes países estavam concentrados na região, incluindo brasileiros, chilenos, peruanos, bolivianos, uruguaios e paraguaios. Outras estimativas divulgadas ao longo do bloqueio apontaram milhares de caminhões retidos em diferentes pontos dos dois lados da fronteira.

Neve acumulada chegou a vários metros

O problema começou depois de uma sequência de fortes temporais atingir a região da Cordilheira dos Andes.

O Sistema Integrado Cristo Redentor, principal passagem entre Mendoza e o Chile, permaneceu fechado devido ao acúmulo de neve e às condições consideradas perigosas para o trânsito. O governo chileno confirmou oficialmente o fechamento do corredor por causa da neve.

Na região onde Eduardo ficou parado, os relatos apontaram acúmulo de até seis metros de neve nas montanhas. O receio das autoridades era que o movimento dos veículos aumentasse o risco de desprendimento de neve e acidentes.

Além da neve, o corredor enfrentou ventos muito fortes. Durante o fechamento, houve registros de rajadas que poderiam alcançar entre 100 e 160 km/h em pontos de alta montanha.

As próprias autoridades chilenas alertam que essa travessia pode enfrentar gelo na pista, avalanches, deslizamentos, vento branco e temperaturas extremas durante o inverno.

Caminhoneiro perdeu formatura da filha

A carga parada representa prejuízo e atraso, mas o que mais pesou para Eduardo aconteceu longe do caminhão.

Durante os 32 dias esperando uma oportunidade para atravessar a fronteira, ele não conseguiu voltar para a formatura da filha, Emília. Também acompanhou de longe o neto Otto completar três meses de vida.

Enquanto aguardavam, os caminhoneiros receberam apoio do Exército argentino e de entidades locais, com fornecimento de água potável e uma refeição por dia.

O restante da rotina continuou acontecendo na estrutura disponível em Uspallata.

Segundo Eduardo, os motoristas utilizavam o posto de combustível para necessidades básicas e pagavam cerca de 4 mil pesos argentinos por banho, aproximadamente R$ 14 na conversão citada pela reportagem. As temperaturas chegaram a cerca de -2°C no local onde estavam os caminhões.

Para quem transporta carga frigorificada, existe ainda outra preocupação: o caminhão não pode simplesmente ser desligado e esquecido no estacionamento.

Enquanto a carreta estiver carregada, o sistema de refrigeração precisa continuar trabalhando.

Passagem começa a ser liberada após mais de um mês

Depois de mais de um mês de bloqueio, surgiu finalmente uma possibilidade de saída.

O Paso Internacional Cristo Redentor ficou fechado desde 14 de julho, tornando esse um dos períodos de interrupção mais longos registrados recentemente no corredor.

Nesta terça-feira, 18 de agosto, foi programada a retomada gradual da circulação.

O plano prevê prioridade inicialmente para caminhões que estão do lado argentino tentando seguir para o Chile. Entre terça, quarta e quinta-feira, a programação é permitir o trânsito das 9h às 21h, no horário argentino, nesse sentido. Depois, a operação deverá ser invertida para liberar veículos que aguardam do lado chileno.

A expectativa divulgada é conseguir liberar aproximadamente 800 caminhões por dia durante a operação especial, embora o avanço continue dependendo das condições climáticas e de segurança na montanha.

Para Eduardo e centenas de outros caminhoneiros, atravessar a fronteira ainda não significa necessariamente voltar para casa. Primeiro será preciso finalmente concluir as viagens e entregar as cargas que ficaram paradas durante semanas.

Depois de 32 dias vivendo praticamente dentro do caminhão, qualquer quilômetro percorrido em direção ao destino já representa uma mudança enorme para quem passou mais de um mês olhando para a mesma paisagem coberta de neve.

Publicidade

Comentários

0
Escolha seu avatar

Ele aparecerá ao lado do seu nome nos comentários.

    Sobre o autor

    Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.