Produto barato no Paraguai pode ficar bem mais caro ao ser entregue no Brasil; entenda as taxas

Comprar eletrônicos, perfumes, ferramentas e outros produtos no Paraguai sem sair do Brasil ficou mais fácil. Os Correios passaram a oferecer uma modalidade que permite comprar pela internet em lojas paraguaias e receber a mercadoria diretamente em um endereço brasileiro.
Mas existe um detalhe importante para quem olha os preços de Ciudad del Este e imagina que pagará exatamente aquele valor: a compra pela internet segue regras de importação diferentes das compras feitas pessoalmente no Paraguai.
A novidade foi anunciada nesta semana e, inicialmente, atende compras realizadas na Cellshop e na New Zone Importados. As duas empresas participam do Programa Remessa Conforme da Receita Federal. Os pacotes podem ter até 30 kg e são transportados para o Brasil pelo Correios Packet, com rastreamento da encomenda.
É justamente aí que aparece a diferença no bolso.
Quando um brasileiro viaja pessoalmente ao Paraguai e retorna ao Brasil por via terrestre, existe uma cota de isenção de US$ 500 por pessoa, desde que sejam respeitadas as regras de bagagem, quantidade e finalidade dos produtos. Essa cota pode ser utilizada uma vez a cada intervalo de 30 dias.
Na compra pela internet, essa cota de US$ 500 não existe. O produto enviado pelos Correios é tratado como encomenda internacional e entra nas regras do Regime de Tributação Simplificada.
Desde maio de 2026, para compras feitas por pessoa física em empresas participantes do Remessa Conforme, o Imposto de Importação é de 0% quando o valor aduaneiro não ultrapassa US$ 50. Mesmo assim, continua existindo cobrança de ICMS, cuja alíquota varia atualmente entre 17% e 20%, conforme o estado de destino.
Acima de US$ 50, a conta muda bastante.
O Imposto de Importação passa a ser de 60% sobre o valor aduaneiro, com um desconto equivalente a US$ 30 no valor do imposto. Depois ainda entra o ICMS. Para calcular o limite e os tributos, a Receita considera produto, frete e seguro quando aplicáveis.
Um exemplo ajuda a enxergar a diferença.
Imagine um produto anunciado por US$ 100, sem considerar frete ou seguro. Dentro do Remessa Conforme, o Imposto de Importação seria de US$ 60, mas haveria o desconto de US$ 30. Restariam US$ 30 de imposto federal.
Se o comprador estiver em um estado com ICMS de 17%, esse imposto estadual é calculado “por dentro” e também considera o Imposto de Importação na base. Nesse exemplo simplificado, o custo chegaria a aproximadamente US$ 156,63 depois dos dois impostos, antes de eventuais custos adicionais de envio ou serviços. A metodologia de cálculo é a mesma divulgada pela Receita Federal.
Ou seja, um produto de US$ 100 não necessariamente chegará à casa do brasileiro custando US$ 100.
Essa é a principal diferença que o consumidor precisa observar antes de comparar um anúncio brasileiro com uma etiqueta encontrada em Ciudad del Este.
O Paraguai ganhou fama entre brasileiros justamente pelos preços competitivos de eletrônicos e outros importados. Para quem mora perto da fronteira ou viaja até o país, a cota terrestre de US$ 500 pode fazer uma diferença enorme na conta. Pela internet, porém, o produto entra como uma importação postal e segue outra tributação.
Mesmo uma compra abaixo de US$ 50 não é completamente livre de impostos. O Imposto de Importação pode estar zerado no Remessa Conforme, mas o ICMS continua sendo cobrado.
Nas lojas participantes do programa, os impostos são informados e recolhidos no processo de compra, o que permite ao consumidor conhecer o custo antes de finalizar o pedido.
Por isso, antes de clicar em comprar, a comparação correta não é entre “preço no Paraguai” e “preço no Brasil”. O consumidor deve comparar o preço final da compra paraguaia, já com impostos e frete, com o preço final oferecido por uma loja brasileira.
Em alguns produtos a diferença ainda poderá compensar. Em outros, depois que a Receita e o ICMS entram no carrinho, aquela pechincha vista do outro lado da fronteira pode encolher bastante.
A grande novidade dos Correios é a comodidade: agora o brasileiro poderá comprar de determinadas lojas paraguaias sem viajar até Ciudad del Este. O que não veio junto com a entrega foi a cota de US$ 500 de quem atravessa pessoalmente a fronteira.
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