
Foto: Ilustrativa
A volta da cobrança sobre elétricos chineses montados no Brasil muda mais uma vez o cenário do mercado automotivo nacional. A medida atinge modelos eletrificados que chegam ao país em partes, no sistema conhecido como CKD ou SKD, e depois passam pela montagem em solo brasileiro.
Na prática, esse tipo de operação vinha sendo usado por fabricantes para iniciar a produção local enquanto as fábricas ainda ganhavam estrutura. Agora, essa vantagem começa a diminuir. A alíquota deve subir de forma gradual e chegar a 35% em janeiro de 2027, mesmo patamar cobrado de veículos importados prontos.
A decisão pesa principalmente sobre marcas chinesas que apostaram forte no Brasil nos últimos anos. Empresas do setor aceleraram planos de produção, abriram vagas, anunciaram fábricas e trouxeram modelos mais acessíveis para disputar espaço com marcas tradicionais.
O impacto direto para o consumidor ainda depende da estratégia de cada montadora. Algumas podem segurar parte do custo para não perder mercado. Outras podem repassar a diferença aos preços, principalmente nos modelos de entrada, onde qualquer aumento muda bastante a decisão de compra.
Mesmo assim, o movimento mostra que o país quer empurrar as fabricantes para uma produção mais completa por aqui. Apenas montar peças importadas pode deixar de ser tão vantajoso. A ideia do governo é fazer com que a cadeia automotiva cresça dentro do Brasil, com mais etapas locais, mais fornecedores e mais empregos ligados à tecnologia elétrica.
Para quem está de olho em um carro elétrico ou híbrido, o ano de 2026 vira um período importante. Os modelos já estão mais presentes nas ruas, os preços ficaram mais competitivos em alguns segmentos e a disputa entre marcas aumentou. Com a nova tributação no caminho, o mercado pode passar por reajustes antes de 2027.
A mudança também coloca pressão sobre as fabricantes tradicionais. Com os chineses ganhando espaço, a briga deixou de ser apenas por luxo ou tecnologia. Hoje, envolve preço, autonomia, rede de atendimento, peças, garantia e confiança no pós-venda.
O consumidor brasileiro ganhou mais opções, mas também passa a acompanhar um mercado em transformação rápida. A fase de entrada dos eletrificados importados com custo menor vai ficando para trás, enquanto a produção nacional passa a ser peça central na disputa pelos próximos lançamentos.
Esta publicação foi modificada pela última vez em 7 de junho de 2026 08:36
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