Scania Longline no Brasil? Veja o que a lei permite para o caminhão gigante

O novo Scania Longline chegou ao mercado europeu com uma cabine bem maior que a encontrada nos modelos convencionais. A novidade levantou uma dúvida entre caminhoneiros brasileiros: esse caminhão poderia rodar legalmente no Brasil?
A resposta é que seria possível, mas não do jeito que ele simplesmente sai da fábrica europeia e chega às nossas estradas. O caminhão teria de passar pelo processo brasileiro de homologação e também respeitar as dimensões permitidas para veículos de carga.
O Longline combina a estrutura da CrewCab com a cabine de teto alto da Série S. A Scania oferece inicialmente versões chamadas 28 e 31, ambas com teto elevado e altura interna superior a dois metros. A fabricante desenvolveu o modelo aproveitando a legislação europeia que permite veículos mais longos.
É justamente o comprimento que pode virar a principal dor de cabeça por aqui. Pelas regras brasileiras, um conjunto formado por caminhão-trator e semirreboque pode ter até 19,30 metros de comprimento, além de largura máxima de 2,60 metros e altura de 4,40 metros nas condições normais previstas pelo Contran.
Isso não significa que a cabine Longline seja proibida. O problema aparece quando o comprimento maior do cavalo mecânico faz o conjunto completo ultrapassar o limite permitido. Dependendo da configuração, seria necessário usar um implemento mais curto ou verificar a possibilidade de autorização específica para circulação.
Outro obstáculo está nos documentos. Um Longline novo trazido do exterior precisaria cumprir o processo de homologação da Senatran. Veículos importados necessitam de código de marca, modelo e versão no Renavam e do Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito, o CAT, antes do registro e licenciamento.
Até agora, a Scania Brasil não anunciou oficialmente o Longline como integrante da linha nacional. O modelo apresentado pela fabricante está direcionado inicialmente ao mercado europeu, com produção em baixo volume e possibilidade de personalização da cabine.
Na prática, portanto, ver um Scania Longline emplacado e trabalhando no Brasil não seria algo impossível. Mas o proprietário não poderia apenas comprar o caminhão na Europa, embarcar para cá e engatar qualquer carreta. Homologação, documentação e principalmente o comprimento total do conjunto teriam de fechar a conta antes de o gigante começar a ganhar as rodovias brasileiras.
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