Brasil perde 1,2 milhão de caminhoneiros e transportadoras acendem o alerta

O Brasil tem caminhões disponíveis, cargas esperando transporte e empresas procurando profissionais. O que está faltando é gente disposta a assumir o volante e enfrentar a rotina pesada das estradas.
Uma pesquisa da NTC&Logística revelou que 88% das transportadoras enfrentam dificuldade para contratar motoristas e agregados. Entre as empresas que possuem veículos sem trabalhar, a média chega a oito caminhões parados por transportadora. O levantamento foi realizado em 2025 e divulgado em 2026. MundoLogística
Os números ajudam a mostrar por que o assunto não fica restrito aos pátios das empresas. Cerca de 65% das mercadorias transportadas no Brasil passam pelas rodovias, segundo estudo da antiga Empresa de Planejamento e Logística. Alimentos, remédios, combustíveis e produtos usados pela indústria dependem diretamente dos caminhões. EPL
A quantidade de profissionais também vem caindo. Dados da Senatran analisados pelo Instituto de Logística e Supply Chain mostram que o país tinha aproximadamente 5,6 milhões de condutores habilitados nas categorias C e E em 2015. Em 2025, eram 4,4 milhões. A redução foi de 22%, equivalente a 1,2 milhão de motoristas em dez anos. ILOS
O envelhecimento da categoria amplia o problema. Em 2023, a idade média desses condutores era de 53,5 anos. Naquele ano, 29% tinham mais de 60 anos, quase o dobro da participação registrada uma década antes.
Longos períodos longe da família, insegurança, estradas ruins, falta de pontos adequados para descanso e remuneração considerada baixa afastam parte dos jovens. Muitos filhos de caminhoneiros também preferem procurar outras formas de renda.
A Confederação Nacional do Transporte informa que 65,1% das empresas do transporte rodoviário de cargas relatam falta de motoristas profissionais. Em algumas operações, a compra de novos veículos deixou de ser suficiente para aumentar a capacidade de entrega porque não há profissionais qualificados para conduzi-los. CNT
O impacto de uma paralisação desse setor já apareceu em 2018. Na greve dos caminhoneiros, o prejuízo econômico foi estimado em R$ 15,9 bilhões, com interrupções no abastecimento, na produção industrial e no transporte de mercadorias.
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