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Caminhoneiro Internacional

Como se tornar caminhoneiro na Europa: documentos, visto e como se candidatar

7 minutos de leitura
CAMINHONEIRO-EUROPA
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Trabalhar como caminhoneiro na Europa é uma possibilidade para brasileiros que já têm experiência com veículos pesados e querem construir uma carreira fora do país. O mercado europeu continua enfrentando falta de profissionais em diferentes setores, e os motoristas de caminhões aparecem entre as ocupações afetadas.

Um levantamento da European Labour Authority mostrou que a falta de mão de obra continua espalhada por vários países europeus. Na edição anterior do relatório EURES, motoristas de caminhões pesados chegaram a aparecer com escassez registrada em 21 países.

Só que a mudança exige mais do que comprar uma passagem e chegar com a CNH brasileira. O motorista precisa entender as regras do país onde pretende trabalhar, conseguir uma oportunidade compatível e regularizar a parte migratória e profissional antes de assumir o veículo.

Quais documentos um brasileiro precisa para trabalhar como caminhoneiro na Europa?

O passaporte válido é o primeiro documento. Também é recomendável manter a CNH brasileira dentro da validade, documentos pessoais, comprovantes de experiência como motorista profissional e registros que ajudem a confirmar os tipos de veículos e cargas com os quais já trabalhou.

Dependendo do país e da empresa contratante, podem ser solicitados ainda contrato ou proposta de emprego, antecedentes criminais, exame médico, seguro de saúde, comprovante de endereço, fotografias e documentos traduzidos ou legalizados.

Não existe um único “visto europeu para caminhoneiro”. Cada país possui seu próprio processo para trabalhadores de fora da União Europeia.

Na Espanha, por exemplo, o empregador normalmente precisa conseguir a autorização de trabalho antes de o profissional solicitar o visto de trabalho e residência. A Comissão Europeia informa que o trabalhador também pode precisar apresentar certificado médico e comprovar a ausência de antecedentes criminais.

Na Polônia há autorização temporária de residência e trabalho para estrangeiros contratados por empresas do país. A documentação e as condições variam conforme o tipo de contratação e o período de permanência.

Na Lituânia também existem regras próprias para estrangeiros contratados. Conforme o tipo de processo, o trabalhador pode precisar de autorização relacionada ao emprego e de uma permissão de residência.

Ir para a Europa como turista não substitui essas autorizações quando o objetivo é morar e trabalhar legalmente.

A CNH brasileira serve para trabalhar com caminhão na Europa?

A resposta muda conforme o país.

Na Espanha existe acordo para troca da habilitação brasileira. A Direção-Geral de Trânsito espanhola, a DGT, mantém o Brasil entre os países com acordo de canje.

Para quem possui habilitação de caminhão ou ônibus, porém, o processo não é igual ao de uma CNH para automóveis. Segundo a DGT, permissões brasileiras das categorias profissionais exigem prova específica e prova de circulação para a troca.

Em outros países o procedimento pode ser diferente e o candidato pode precisar realizar exames ou obter uma habilitação reconhecida localmente.

Por isso, antes de aceitar uma proposta é preciso confirmar como o país de destino trata a CNH brasileira e quais etapas serão necessárias para dirigir profissionalmente.

O que é o Código 95?

Outro nome que o caminhoneiro vai encontrar ao pesquisar trabalho na Europa é o Código 95.

Ele está relacionado à qualificação profissional exigida para motoristas que trabalham no transporte rodoviário. As regras europeias também alcançam cidadãos de países de fora da União Europeia quando são empregados por empresas estabelecidas no bloco.

Na prática, ter apenas habilitação para dirigir o veículo pode não ser suficiente. O profissional precisa atender também às exigências de qualificação para exercer a atividade comercial.

Dependendo da operação, o motorista ainda pode precisar do cartão do tacógrafo digital e de qualificações específicas para determinadas cargas.

Quem trabalha com produtos perigosos, por exemplo, pode encontrar vagas que exigem certificação ADR.

Precisa falar inglês para ser caminhoneiro na Europa?

Não existe uma regra dizendo que todo brasileiro precisa falar inglês fluentemente para conseguir trabalhar como caminhoneiro em qualquer país europeu.

O idioma cobrado depende da transportadora, do país e do tipo de rota.

Na Espanha, saber espanhol facilita bastante a comunicação. Quem pretende fazer rotas internacionais pode encontrar empresas que pedem inglês básico ou intermediário. Em operações envolvendo a França, o francês também pode aparecer como diferencial ou exigência.

Mesmo quando a vaga não cobra fluência, conseguir entender orientações de trânsito, documentos, instruções da empresa e conversar com clientes ou responsáveis pela carga faz diferença no dia a dia.

O próprio cadastro da Global Work pergunta ao motorista qual é seu nível de inglês, espanhol e francês, além de permitir informar outros idiomas.

É possível levar esposa e filhos logo no começo?

Esse é um dos pontos que mais muda de um país para outro.

Conseguir um contrato de trabalho não significa automaticamente que esposa e filhos poderão embarcar junto com o motorista usando a mesma autorização.

Na Espanha, a regra de reunificação familiar permite que determinados residentes solicitem a entrada da família quando possuem uma autorização de residência de pelo menos um ano e possibilidade de permanecer por mais um. O processo exige comprovação do vínculo familiar e pode envolver renda, moradia e seguro de saúde.

Na Polônia, as regras são diferentes. Quando o trabalhador está no país há menos de dois anos, familiares podem, em algumas situações, receber visto nacional ou autorização temporária de residência, mas a análise pode ser feita de forma individual. Depois de determinados períodos de residência surgem regras próprias para reunificação familiar.

Para o trabalhador empregado comum na Lituânia, a página oficial de imigração da União Europeia informa que não existe direito automático de ser acompanhado por familiares nessa modalidade. A reunificação possui condições próprias e algumas exceções.

Por isso, quem planeja mudar com esposa e filhos precisa verificar essa questão antes de fechar a contratação. A regra do país de destino e o tipo de autorização recebida é que vão definir quando e de que maneira a família poderá se mudar.

Experiência no Brasil conta?

Conta, principalmente em processos seletivos.

Empresas podem avaliar há quanto tempo o candidato dirige profissionalmente, quais categorias possui, tipos de carreta que conhece e se já trabalhou com frigorífico, contêiner, tanque, lona ou transporte de produtos perigosos.

Experiência com viagens longas e rotas internacionais também pode ajudar.

No cadastro profissional da Global Work, por exemplo, o motorista informa categorias da habilitação, tempo de experiência, tipos de carga, experiência internacional, certificações e disponibilidade para morar legalmente na Europa.

Países europeus procuram motoristas

A falta de motoristas pesados não está limitada a um lugar. Dados da rede europeia EURES mostram problemas de contratação no setor de transporte em diferentes partes da Europa.

Na Lituânia, informações do mercado de trabalho europeu apontam falta de motoristas de caminhões pesados em regiões do país.

Polônia, Espanha e outros mercados europeus também aparecem entre os destinos pesquisados por profissionais interessados em transporte internacional. A disponibilidade real de vagas muda conforme empresa, região, experiência exigida e situação migratória do candidato.

Para brasileiros que querem participar de processos seletivos, a Global Work está fazendo a ligação entre profissionais e empresas em projetos de recrutamento internacional.

No site da empresa existe um cadastro específico chamado “Candidate-se a oportunidades de motorista na Europa”.

O formulário pergunta se o motorista possui CNH brasileira ou europeia, categorias da habilitação, passaporte, CAM ou CAP europeu, cartão do tacógrafo, experiência profissional, ADR, idiomas e países onde deseja trabalhar.

Entre os destinos que podem ser selecionados estão Espanha, Lituânia, Polônia, Portugal, Alemanha, França, Itália, Países Baixos e vários outros países europeus.

Depois do envio, o perfil fica disponível para análise da Global Work e contato sobre processos compatíveis. A empresa informa que atua com recrutamento internacional, orientação documental, preparação para entrevistas e apoio nas etapas de mobilidade profissional.

Motoristas interessados podem fazer o cadastro diretamente no site da Global Work:
https://globalworkhr.com/

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Sobre o autor

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.