Quase 1 em cada 4 caminhoneiros pensa em largar a profissão no Brasil

Ficar dias longe de casa, trabalhar por horas seguidas e ainda lidar com custos altos está fazendo parte dos caminhoneiros brasileiros pensar duas vezes antes de continuar na estrada. Uma pesquisa recente mostra que a profissão começa a enfrentar um problema que já aparece dentro das próprias famílias dos motoristas.
Dados da 3ª Pesquisa Nacional da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), divulgada em dezembro de 2025, mostram que 23% dos caminhoneiros autônomos entrevistados desejam deixar a atividade. O levantamento ouviu 2.002 profissionais cadastrados no RNTRC em todas as regiões do país.
A idade também pesa. A média entre os entrevistados chegou aos 46 anos e 34% já tinham 50 anos ou mais. O problema aparece na renovação da categoria: 86% disseram que nenhum dos filhos pretende seguir a profissão dos pais.
A rotina ajuda a entender esse afastamento. De acordo com a mesma pesquisa, um caminhoneiro autônomo trabalha, em média, 14 horas por dia e passa cerca de 16 dias por mês longe de casa. Entre os entrevistados, 82% disseram não se sentir valorizados profissionalmente.
Tem ainda o tempo parado esperando carga ou descarga. Quase metade dos motoristas consultados, 46,1%, afirmou esperar mais de cinco horas nessas operações. Mais de 90% disseram não receber o pagamento de estadia referente ao período parado, segundo a CNTA.
Outro peso fica no próprio caminhão. O Anuário do Transporte Rodoviário de Cargas 2025 da ANTT mostra que os veículos de tração dos transportadores autônomos tinham idade média de 24,4 anos no cadastro de dezembro de 2025.
Para quem já vive da boleia há décadas, trocar de caminhão, ficar semanas fora de casa e continuar arcando com despesas da estrada deixou a profissão menos atraente. E enquanto parte dos veteranos pensa em parar, dentro de muitas famílias a nova geração já decidiu procurar outro caminho.
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