Lula promete recuperar os Correios em eventual novo mandato e descarta privatização

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição em 2026, afirmou que pretende recuperar os Correios em um eventual novo mandato e descartou a venda da estatal para a iniciativa privada.
A declaração foi dada durante entrevista à TV Globo na quinta-feira, 27 de agosto, quando Lula foi questionado sobre a situação financeira da empresa e sobre a possibilidade de privatização.
“Não considero vender os Correios. Quero recuperar os Correios”, afirmou Lula.
O presidente disse que pretende fazer a empresa voltar a prestar um serviço de qualidade e reconheceu que os Correios perderam espaço diante das mudanças ocorridas no mercado de encomendas e logística.
Lula também deixou aberta a possibilidade de parcerias com empresas brasileiras ou estrangeiras, desde que a estatal permaneça sob controle público. Segundo ele, associações poderão ser utilizadas para ampliar os serviços e melhorar a operação.
A promessa acontece em um momento financeiro difícil para os Correios.
No primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou prejuízo líquido de R$ 3,16 bilhões, resultado 82,3% superior à perda registrada no mesmo período de 2025. No ano passado, o prejuízo chegou a aproximadamente R$ 8,5 bilhões, o pior resultado anual da história da companhia.
Correios já estão em processo de reestruturação
A estatal possui um Plano de Reestruturação 2025-2027, aprovado no fim de 2025. O objetivo declarado é recuperar a liquidez, restabelecer o equilíbrio financeiro e melhorar o desempenho operacional da empresa.
Entre as medidas previstas estão redução de despesas, reorganização de unidades, modernização de sistemas, automação logística e busca por novas receitas.
A própria administração dos Correios divide o processo em etapas. Primeiro vem a estabilização financeira; depois, a reorganização e modernização ao longo de 2026 e 2027; e, a partir de 2027, a preparação para um novo ciclo de crescimento.
O Tribunal de Contas da União acompanha o processo. Em junho, o TCU apontou fragilidades na demonstração das premissas financeiras e nos mecanismos de acompanhamento do plano, além de riscos relacionados à liquidez e à possibilidade de dependência de recursos do Tesouro Nacional.
Governo prevê R$ 6 bilhões para os Correios em 2027
A situação também terá reflexos no Orçamento federal.
A proposta de Orçamento de 2027 deverá incluir aporte de R$ 6 bilhões nos Correios. A previsão está relacionada às condições do empréstimo de R$ 12 bilhões contratado pela estatal com um grupo de bancos no fim de 2025.
A empresa também busca uma nova operação de crédito, estimada em R$ 7 bilhões, para dar continuidade ao processo de reestruturação.
Os valores mostram o tamanho do desafio por trás da promessa de recuperar a companhia.
Empresa perdeu espaço nas encomendas internacionais
Uma das mudanças enfrentadas pelos Correios ocorreu no segmento de compras internacionais.
Dados analisados pelo TCU mostram que a participação da estatal nesse mercado era de 99% em dezembro de 2023. Ela caiu para 66% em dezembro de 2024, 52% em janeiro de 2025 e chegou a 31% em junho de 2025, após mudanças no mercado e aumento da concorrência privada.
Os Correios também precisam manter uma estrutura nacional muito maior do que a maioria dos concorrentes privados. A empresa afirma estar presente nos 5.570 municípios brasileiros, inclusive em localidades onde a operação comercial isoladamente pode não ser atraente para empresas privadas.
A fala de Lula, portanto, representa uma promessa para um eventual próximo mandato, caso seja reeleito. A recuperação ainda dependerá do resultado do plano já em andamento, da redução das perdas, da geração de novas receitas e dos recursos necessários para financiar a operação da estatal.
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