Caminhoneiro brasileiro revela o que mais gostou ao trabalhar na Espanha

Um caminhoneiro brasileiro que trabalha há quase dois anos na Espanha resolveu contar quais foram os pontos que mais chamaram sua atenção desde que entrou no mercado de trabalho do país. Identificado como Zé Carlos no vídeo, ele cita estabilidade no emprego, procura por profissionais e pagamentos extras entre as vantagens que encontrou.
Uma das primeiras diferenças percebidas por ele foi o contrato indefinido. Na Espanha, esse tipo de contrato não estabelece uma data para terminar. Os contratos temporários continuam existindo, mas atualmente são permitidos principalmente para situações específicas, como aumento temporário da produção ou substituição de trabalhadores.
Para Zé Carlos, encontrar empresas oferecendo contrato sem prazo definido trouxe mais segurança na hora de procurar emprego. Ele afirma que praticamente todas as entrevistas que fez para trabalhar como motorista apresentavam essa possibilidade. O contrato indefinido, porém, não impede uma demissão. A empresa continua podendo encerrar o vínculo seguindo as regras previstas na legislação trabalhista espanhola.
A procura por motoristas também pesou na experiência do brasileiro. A falta de profissionais para dirigir caminhões é reconhecida pelo próprio governo espanhol, que criou ajuda financeira para facilitar a obtenção das habilitações profissionais das categorias C e D. A medida foi lançada justamente diante da crescente escassez de motoristas de caminhões e ônibus.
Outras áreas também enfrentam dificuldade para preencher determinadas vagas. Dados do serviço europeu EURES apontam falta de caminhoneiros e de trabalhadores da construção, como pedreiros e eletricistas, no mercado espanhol. Isso não significa que qualquer estrangeiro consiga emprego imediatamente, já que documentação, experiência e autorização para trabalhar continuam pesando na contratação.
O salário foi outro ponto citado no relato. Em 2026, o salário mínimo espanhol passou para € 1.221 mensais em 14 pagamentos. O valor anual oficial é de € 17.094 e passou a valer retroativamente desde 1º de janeiro. A carga horária máxima ordinária prevista atualmente é de 40 horas semanais, considerando a média anual, embora acordos coletivos possam estabelecer condições diferentes.
Zé Carlos também chamou atenção para as chamadas pagas extras. Pela legislação espanhola, o trabalhador tem direito a duas gratificações extraordinárias por ano, sendo uma no período do Natal e outra na data determinada pelo acordo coletivo ou pela empresa. Esses valores também podem ser distribuídos pelos 12 salários mensais quando houver previsão no acordo coletivo.
No caso relatado pelo caminhoneiro, algumas empresas chegam a oferecer um terceiro pagamento extra. Essa parcela adicional não faz parte da regra geral espanhola e depende das condições previstas para aquela empresa ou categoria profissional.
Depois de quase dois anos trabalhando no país, o brasileiro também destaca a rapidez que encontrou em vários processos seletivos para funções operacionais. Segundo ele, em algumas empresas bastava uma conversa sobre salário, condições e documentação para avançar rapidamente para a contratação. Para quem pensa em trabalhar como caminhoneiro na Espanha, porém, habilitação adequada, CAP e situação migratória regular continuam fazendo parte do caminho para exercer a profissão legalmente.
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